Uma iniciativa brasileira que une inovação, sustentabilidade e tecnologia para transformar resíduos de papel-moeda em matéria-prima para novos papéis de segurança acaba de conquistar reconhecimento internacional. O Projeto Tran$forma foi eleito o Melhor Projeto Ambiental da América Latina durante a High Security Printing Latin America 2026, uma das mais importantes premiações globais voltadas à indústria de documentos e impressões de alta segurança.
Desenvolvido pela BP Security e Casa da Moeda do Brasil em parceria com a com o Instituto Tran$forma, o projeto cria uma solução inédita para reaproveitar fibras de algodão provenientes de resíduos da fabricação e descaracterização de cédulas, reinserindo esse material na produção de novos papéis especiais e de segurança. A iniciativa aplica princípios de economia circular ao transformar um resíduo que antes seria descartado em um insumo de alto valor agregado, sem comprometer os rigorosos padrões de qualidade, durabilidade e segurança exigidos pelo setor.
A história do projeto começou há cerca de dois anos, quando BP Security e Casa da Moeda do Brasil iniciaram estudos para recuperar as fibras de algodão presentes nos resíduos da produção de papel-moeda. O objetivo era dar uma nova vida a esse material, reduzindo desperdícios e diminuindo a necessidade de utilização de algodão virgem.
Inicialmente, as fibras recicladas foram empregadas na fabricação de papéis coloridos. Com o avanço das pesquisas e o desenvolvimento da tecnologia proprietária EcoBreath®, o projeto evoluiu para a produção de papéis de segurança capazes de incorporar elementos como marca-d’água e fio de segurança inserido na massa, atendendo às exigências técnicas da indústria.
O processo envolve um tratamento químico de alta oxidação que desagrega completamente o papel original, eliminando tintas e todos os elementos de segurança incorporados às cédulas, como fios metálicos e fibras coloridas. Em seguida, a polpa passa por um sistema de limpeza que remove plásticos e outros contaminantes antes de ser novamente utilizada na fabricação de papel.
Após esse tratamento, as fibras recicladas podem ser armazenadas ou transportadas para diferentes máquinas papeleiras, sendo compatíveis com diversos processos industriais.
Além do ganho ambiental, o projeto apresenta resultados expressivos. Através dos estudos técnicos produzidos pelo Consultoria Internacional BIP, a tecnologia permite reduzir em até 92% as emissões de CO₂ em comparação com a utilização de algodão virgem, ao mesmo tempo em que preserva as características técnicas exigidas para papéis de segurança. Até o momento, mais de 760 toneladas de resíduos de papel-moeda já foram processadas pela iniciativa.
“O reconhecimento da High Security Printing demonstra que é possível conciliar inovação, sustentabilidade e segurança em uma indústria altamente exigente. O Projeto Tran$forma mostra que resíduos considerados sem valor podem voltar à cadeia produtiva como matéria-prima de alta performance, criando um modelo de economia circular com potencial de replicação em diferentes mercados”, destaca Patricio Malvezzi, fundador e CEO do Instituto Tran$forma.
A premiação reforça o protagonismo brasileiro no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a indústria de segurança gráfica e evidencia o potencial da colaboração entre empresas, instituições públicas e organizações voltadas à inovação para criar soluções com impacto ambiental e econômico em escala global.
“O reconhecimento internacional desse projeto demonstra que sustentabilidade e inovação podem caminhar lado a lado. Desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, com pedidos de patente depositados no Brasil e no exterior, capaz de recuperar fibras de altíssima qualidade e reinseri-las na fabricação de novos substratos.
Esse avanço representa um marco para a indústria brasileira e evidencia como a economia circular pode gerar soluções de alto valor agregado para mercados altamente especializados. A tecnologia abre a possibilidade de o Brasil ou outros países produzirem cédulas, passaportes e documentos de identidade mais sustentáveis do mundo, mantendo os elevados padrões de segurança e qualidade que esses produtos exigem”, afirma Alexandre Ambrozio Gilberti, diretor de Operações da BP Security















