Do laboratório ao paciente, o transporte de amostras biológicas, medicamentos e insumos exige planejamento, agilidade e cuidados específicos para preservar a integridade dos materiais. No contexto do Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, a logística expressa conecta laboratórios, centros de pesquisa, fornecedores e instituições de saúde, inclusive em operações internacionais.
Para Lara Gurgel, diretora-executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (ABRAEC), a eficiência dessas operações não depende apenas da rapidez da entrega, mas também da conservação adequada das cargas durante todo o percurso.
“Amostras biológicas para exames, medicamentos, reagentes e materiais utilizados em pesquisas clínicas exigem cuidados específicos durante o transporte. A prioridade e as condições de manuseio dependem das características de cada material, de sua estabilidade e da finalidade a que se destina. Uma amostra encaminhada para análise precisa chegar em condições que permitam um resultado confiável; um medicamento deve manter as condições de conservação necessárias à preservação de sua qualidade”, explica.
Esse processo envolve embalagens adequadas, identificação correta, rastreabilidade e controle de temperatura quando necessário. Os períodos de espera, as conexões e a armazenagem também precisam ser considerados para evitar o comprometimento dos materiais. Essa integração é especialmente importante quando os recursos estão disponíveis em outras cidades ou países. No caso do câncer de mama, materiais obtidos por biópsia podem precisar ser enviados a laboratórios especializados para análise. A conservação durante o transporte integra as condições necessárias à avaliação da amostra, enquanto a disponibilidade de medicamentos e insumos contribui para o funcionamento dos serviços de saúde e a continuidade das pesquisas clínicas.
As consequências de uma demora variam conforme o tipo de material e as condições necessárias para sua conservação. “Se um atraso comprometer a estabilidade de uma amostra, ela poderá se tornar inadequada para análise, exigindo, quando possível, uma nova coleta. Isso pode prolongar a investigação diagnóstica e acrescentar uma nova etapa ao atendimento do paciente”, alerta Lara.
Para minimizar esses riscos, o planejamento deve prever possíveis imprevistos, alternativas de transporte e comunicação rápida entre os responsáveis. No recebimento, a equipe técnica precisa avaliar as condições do material antes de decidir se ele pode ser utilizado.
Integração entre setores é um dos desafios
Nas operações internacionais, a carga pode passar por diferentes empresas, instalações e autoridades, envolvendo transporte terrestre, terminais aeroportuários, voos, fiscalização e entrega. Cada etapa precisa respeitar as condições de conservação e os requisitos aplicáveis ao material.
“Um dos principais desafios é assegurar a continuidade dos cuidados em uma operação que envolve diferentes empresas, instalações e autoridades. A carga pode passar por coleta, transporte terrestre, terminal aeroportuário, voo, fiscalização e entrega. Todas essas etapas precisam respeitar as condições de conservação e os requisitos aplicáveis ao material, com responsabilidades claramente definidas”, afirma.
Nas operações internacionais, é necessário coordenar os procedimentos sanitários e aduaneiros com a programação do transporte. Também existem regras específicas de segurança aérea para determinadas substâncias e materiais que necessitam de controle de temperatura. Para a ABRAEC, as prioridades são ampliar a clareza e a uniformidade dos procedimentos, melhorar a previsibilidade das análises e assegurar infraestrutura adequada durante os períodos de espera. Essa coordenação ajuda a prevenir retenções evitáveis e a responder rapidamente a ocorrências que possam comprometer a carga.
O que precisa avançar no Brasil
Para acompanhar a evolução da medicina e da pesquisa clínica, a logística precisa ser considerada desde o planejamento dos serviços de saúde e dos estudos. “Isso significa definir como os materiais serão transportados, quais condições devem ser preservadas e como agir diante de imprevistos. Investimentos em infraestrutura de conservação, qualificação das rotas, rastreabilidade, integração de sistemas e capacitação das equipes são fundamentais para dar suporte a operações cada vez mais especializadas”, defende Lara.
No âmbito regulatório, a associação também considera importante ampliar a integração entre autoridades sanitárias, aduaneiras e de transporte, com procedimentos claros, compartilhamento antecipado de informações e controles proporcionais ao risco. A criação de canais de resposta para situações urgentes e o acompanhamento de indicadores de prazo e integridade das cargas podem ajudar a identificar problemas e corrigir suas causas.
“O avanço esperado é que a capacidade de transportar acompanhe a capacidade de diagnosticar, pesquisar e tratar. Para isso, a logística deve ser considerada nas decisões que buscam ampliar o acesso dos pacientes aos recursos de saúde”, conclui a executiva.
ABRAEC
A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (ABRAEC) representa as principais empresas que atuam no transporte expresso internacional de cargas e remessas, promovendo o desenvolvimento de um ambiente regulatório, tributário e operacional mais eficiente, seguro e competitivo para o setor no Brasil.














