Durante décadas, a carreira médica esteve quase exclusivamente associada ao atendimento direto ao paciente. Consultórios, centros cirúrgicos e plantões hospitalares sempre foram vistos como o destino natural do médico. No entanto, a crescente complexidade dos sistemas de saúde, especialmente em instituições públicas, redes privadas e na relação com operadoras, vêm mudando esse cenário. Cada vez mais, o desenvolvimento profissional do médico passa também pela gestão, liderança e organização de equipes e recursos.
Essa transformação ficou especialmente evidente durante a pandemia da Covid-19.
Na linha de frente da crise sanitária, os hospitais precisaram expandir leitos, reorganizar fluxos, contratar profissionais em ritmo acelerado e manter padrões de qualidade em um ambiente de extrema pressão. Em alguns centros, UTIs chegaram a operar centenas de leitos simultaneamente, exigindo decisões rápidas, coordenação precisa e liderança constante.
Foi nesse contexto que o médico anestesiologista Tiago Macruz vivenciou, na prática, o quanto o conhecimento técnico, por si só, não era suficiente. Ao coordenar uma das maiores estruturas de UTI Covid já montadas, com cerca de 300 leitos de terapia intensiva, ele se deparou com um desafio que ia além do cuidado clínico: liderar grandes equipes, gerenciar escalas, otimizar recursos humanos e manter o funcionamento de um sistema sob pressão contínua.
“A pandemia escancarou a importância da gestão médica. Não se tratava apenas de salvar pacientes individualmente, mas de organizar pessoas, processos e decisões em larga escala”, resume.
A experiência acelerou uma percepção que hoje se reflete na atuação de empresas especializadas em gestão de recursos médicos, como a Performa Saúde, fundada por Macruz. O modelo atende instituições públicas, privadas e operadoras de saúde, oferecendo soluções que integram organização de equipes, eficiência operacional e sustentabilidade dos serviços.
Esse tipo de empresa surge para preencher uma lacuna histórica: médicos são altamente qualificados para cuidar de pessoas, mas raramente recebem formação estruturada em liderança, gestão de equipes ou administração de sistemas complexos. O resultado, muitas vezes, são serviços sobrecarregados, profissionais exaustos e perda de eficiência assistencial.
O movimento observado no Brasil e no exterior aponta para um novo perfil profissional: o médico-gestor. Trata-se de um profissional que mantém sua base clínica, mas amplia seu campo de atuação para funções estratégicas, como coordenação de serviços, direção técnica, relacionamento com operadoras e planejamento institucional.
Essa transição não significa abandonar a medicina, mas expandi-la.
Hoje, além de empreendedor na área de gestão, Dr.Tiago Macruz também atua como Assistant Professor na University of Miami, contribuindo para a formação de novos médicos em um ambiente acadêmico que valoriza não apenas a técnica, mas também competências de liderança, tomada de decisão e visão sistêmica da saúde.
Para hospitais públicos, a gestão eficiente de recursos médicos pode significar melhor uso de verbas, redução de gargalos e maior capacidade de resposta em situações críticas. Para instituições privadas e operadoras, representa previsibilidade, qualidade assistencial e sustentabilidade financeira. Para o médico, abre-se um caminho de crescimento profissional menos limitado, com maior autonomia, impacto coletivo e equilíbrio de carreira.
Na medicina contemporânea, o cuidado com o paciente continua no centro, mas passa a ser sustentado por estruturas mais bem organizadas, lideradas por profissionais que entendem tanto de saúde quanto de gestão.
A experiência do Dr.Tiago Macruz e de empresas como a Performa Saúde aponta para um futuro em que o médico não é apenas executor de protocolos, mas também protagonista na construção de sistemas de saúde mais eficientes, humanos e resilientes.













