Ansiedade, sensação de isolamento e dificuldade de lidar com opiniões divergentes têm se tornado sintomas recorrentes na era da hiperconectividade. Estudos internacionais indicam que o consumo prolongado de redes sociais está associado ao aumento de sentimentos de solidão e à intensificação da comparação social, fatores diretamente relacionados ao adoecimento psíquico.

É nesse contexto que o projeto de diálogos digitais Eu Invisível lança, no dia 20 de fevereiro (20/2), o conteúdo “Toda Bolha é uma Identidade?”, aprofundando a discussão sobre como a mediação algorítmica das plataformas digitais impacta a construção da identidade, o senso de pertencimento e a saúde mental.
O material analisa como os algoritmos, ao filtrarem e personalizarem conteúdos com base em padrões de engajamento, criam ambientes de reforço contínuo de crenças e valores. Essa dinâmica, conhecida como “bolhas informacionais” ou câmaras de eco, pode reduzir a diversidade de perspectivas e favorecer identidades mais rígidas, dificultando o diálogo e ampliando tensões emocionais.
Para a psiquiatra dra. Maria Clara Silveira, convidada do projeto, o conforto das bolhas tem um custo psíquico. “As bolhas são confortáveis porque nos poupam do dilema essencial da experiência humana: ser você mesmo ou pertencer. Elas oferecem respostas prontas, mas esse conforto pode estagnar o crescimento emocional e reduzir nossa capacidade de reflexão”, disse.
Ela também alerta para o impacto biológico do isolamento mediado por telas: “o celular ativa sistemas de estresse e recompensa, mas não substitui o contato humano real. Sem vínculos concretos, vivemos uma espécie de escassez de ‘nutriente social’, o que contribui para quadros de ansiedade e depressão.”
Ao longo do diálogo, os criadores do projeto, Cris Siqueira e Panda Mendes, provocam reflexões sobre comparação social, pertencimento e autonomia crítica no ambiente digital. Cris Siqueira observa que a desigualdade ganha uma dimensão subjetiva específica nas redes: “a desigualdade não nasce na comparação com influenciadores multimilionários. Ela sempre existiu, mas ela ganha um amargo diferente quando você é invadido dentro da sua realidade pela vida dos outros, que é completamente diferente da sua.”
Já Panda Mendes chama atenção para a pressão normativa exercida pelos grupos digitais. “O problema é quando a gente tem que parar de pensar porque a nossa bolha obriga a gente a se comportar de uma determinada forma, porque senão você não vai ser aceito”. E reforça a importância do pensamento próprio: “o grupo de pessoas que te abraça não te torna quem você é. Não existe uma identidade por estar numa bolha. Esse caminho é a verdadeira identidade, porque existe reflexão, existe senso crítico, existe pensamento próprio e existe respeito ao outro”, sinalizou.
Ao reunir análise cultural, dados de pesquisa e reflexão clínica, o projeto Eu Invisível amplia o debate público sobre identidade, pertencimento e responsabilidade algorítmica na sociedade contemporânea. O conteúdo estará disponível a partir de 20/2 nas plataformas digitais do projeto: https://encurtador.com.br/yGEC
SERVIÇO
Diálogo digital: Toda Bolha É uma Identidade?
Participações: Dra. Maria Clara Silveira, psiquiatra
Data de lançamento: 20/02/2026















