O Gemini 4, próximo modelo principal de inteligência artificial do Google, entrou nas etapas iniciais de pós-treinamento, segundo Koray Kavukcuoglu, que comanda o Google DeepMind desde agosto. Na quarta-feira (23), durante o AI Agenda Live Summit, evento do site americano The Information, ele disse esperar que o lançamento ocorra “muito antes” do fim de 2026. A empresa não informou data, preço nem disponibilidade por país.
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O Google tenta encurtar a distância para OpenAI e Anthropic, que lançaram o GPT-6 Astra e o Claude Fable 5.1 no começo de setembro. A estratégia descrita por Kavukcuoglu é publicar uma versão inicial do Gemini 4 assim que possível e melhorá-la em atualizações rápidas. A declaração chegou em uma semana de pressão sobre a Alphabet, cujas ações recuaram enquanto o agente Muse, da Meta, liderava a loja de aplicativos da Apple nos Estados Unidos.
Destaques
- Estágio: o Gemini 4 está no início do pós-treinamento, fase de refinamento do modelo já treinado; não há data de lançamento.
- Comando: Kavukcuoglu assumiu a gestão diária do Google DeepMind em agosto; Demis Hassabis passou a presidir o conselho da divisão e virou cientista-chefe da Alphabet.
- Atraso: o Gemini 3.5 Pro, que Sundar Pichai havia previsto para junho, não foi lançado.
- Mercado: as ações classe A da Alphabet fecharam a quarta-feira em queda de cerca de 3,8%, antes das declarações sobre o Gemini 4.
O que significa estar em pós-treinamento
O desenvolvimento de um modelo de linguagem de grande porte tem duas fases principais. No pré-treinamento, o sistema aprende padrões a partir de enormes volumes de dados. No pós-treinamento, esse modelo base é ajustado com técnicas como retorno de avaliadores humanos e aprendizado por reforço, para melhorar raciocínio, segurança e confiabilidade das respostas.
O Google havia anunciado em julho o início do pré-treinamento do Gemini 4, que Pichai, presidente-executivo do Google e da Alphabet, descreveu como o mais ambicioso da empresa até então. A passagem para o pós-treinamento indica que a etapa mais cara de processamento foi concluída, mas não define prazo: o refinamento e os testes de segurança podem levar semanas ou meses.
Kavukcuoglu disse ao The Information que a intenção do Google é liberar o quanto antes uma versão inicial do pós-treinamento, porque os resultados preliminares são promissores, e seguir com iterações rápidas. Ele também afirmou estar totalmente confiante de que o Google continuará entre os líderes da tecnologia. As declarações sobre desempenho do modelo são do próprio executivo; o Google não publicou resultados de testes do Gemini 4.
A troca no comando do DeepMind
A apresentação foi a primeira aparição pública de Kavukcuoglu no novo cargo. A reestruturação foi anunciada em 5 de agosto: Hassabis, cofundador do DeepMind, deixou a função de presidente-executivo da divisão, passou a presidir seu conselho e assumiu o posto de cientista-chefe da Alphabet, mantendo o comando da Isomorphic Labs, empresa de descoberta de medicamentos com IA. Ele continua ligado ao DeepMind como conselheiro.
Kavukcuoglu, até então diretor de tecnologia do DeepMind, tornou-se vice-presidente sênior da divisão, com responsabilidade sobre o desenvolvimento dos modelos Gemini, a pesquisa de fronteira e as equipes do aplicativo Gemini e de desenvolvedores. Ele se reporta diretamente a Pichai. Na mesma mudança, o cientista-chefe Jeff Dean anunciou a saída do Google após 27 anos para fundar uma empresa própria.
Como o Google ficou para trás na linha principal
O último modelo principal do Google foi o Gemini 3, lançado em novembro de 2025 e atualizado para a versão 3.1 em fevereiro. Desde então, a empresa concentrou lançamentos na linha Flash, de modelos mais rápidos e baratos. Na conferência I/O, em maio, Pichai havia indicado que o Gemini 3.5 Pro chegaria em junho, mas o modelo não foi lançado. Segundo o relato do The Information, Kavukcuoglu reconheceu que o Google deu um pequeno passo atrás após o Gemini 3 para priorizar a linha Flash.
No mesmo período, os concorrentes renovaram suas ofertas de ponta. A Anthropic lançou em 1º de setembro o Claude Fable 5.1, com disponibilidade geral para clientes da API, junto com o Claude Mythos 5.1, versão com salvaguardas reduzidas restrita a organizações selecionadas. A OpenAI liberou o GPT-6 Astra em 3 de setembro para um grupo limitado de organizações e ampliou o acesso a planos pagos e à API a partir do dia seguinte.
A pressão da Meta e a reação das ações
A declaração sobre o Gemini 4 veio em uma semana difícil para a Alphabet na Bolsa. As ações classe A fecharam a quarta-feira (23) a US$ 337,80, queda de cerca de 3,8%, antes da fala de Kavukcuoglu, e subiram perto de 0,6% nas negociações após o fechamento.
Parte da pressão vem do Muse, agente pessoal de IA da Meta lançado em 8 de setembro. O aplicativo, que navega na web, preenche formulários, administra e-mail e agenda e faz compras em nome do usuário, passou o ChatGPT na sexta-feira (18) e se tornou o aplicativo gratuito mais baixado da App Store americana, segundo a empresa de dados Sensor Tower. Na segunda-feira (21), as ações da Meta subiram mais de 11%. Analistas associam a queda da Alphabet ao receio de que agentes capazes de executar tarefas diretamente reduzam o uso da busca, base do negócio de publicidade do Google. A Meta realizou nesta semana o Connect, sua conferência anual de produtos.
O que ainda falta saber sobre o Gemini 4
O Google não divulgou data de lançamento, resultados de testes comparativos, preço na API nem os planos do aplicativo Gemini que terão acesso ao novo modelo. Também não há informação sobre disponibilidade no Brasil. O que Kavukcuoglu descreveu é um lançamento em etapas: uma primeira versão liberada cedo e aprimorada com base no uso real. A comparação com o GPT-6 Astra e o Claude Fable 5.1 em raciocínio, programação e custo só poderá ser feita quando o modelo estiver disponível.













