A inteligência artificial (IA) está ampliando as possibilidades de prevenção, diagnóstico e acompanhamento na odontologia. Ferramentas capazes de analisar radiografias, tomografias, fotografias e escaneamentos digitais podem ajudar a identificar alterações que merecem atenção e acompanhar a evolução de determinadas condições. Apesar dos avanços, a avaliação clínica e a experiência do cirurgião-dentista continuam fundamentais para interpretar os resultados e definir o tratamento adequado.
“A inteligência artificial pode auxiliar na análise de exames, como radiografias, tomografias, fotografias e escaneamentos digitais, destacando áreas que merecem maior atenção. Isso torna a avaliação mais detalhada e contribui para o planejamento e o acompanhamento dos tratamentos. Mas é importante lembrar que a tecnologia é uma ferramenta de apoio: não substitui o diagnóstico nem a experiência clínica do cirurgião-dentista”, explica Flávia Rabello de Mattos.
Tecnologia a serviço da prevenção
Um dos principais potenciais da inteligência artificial é auxiliar na identificação precoce de alterações, como lesões de cárie e problemas ósseos e periodontais. A tecnologia também pode contribuir para o acompanhamento dos pacientes, permitindo comparar imagens feitas em diferentes momentos e observar mudanças ao longo do tempo.
“Quanto mais cedo identificamos um problema, maiores podem ser as possibilidades de realizarmos tratamentos mais conservadores”, afirma a especialista. Ela ressalta, porém, que qualquer alteração apontada pela ferramenta precisa ser confirmada pelo profissional, considerando o exame clínico e o histórico do paciente.
Outro benefício é facilitar a comunicação com o paciente, que pode visualizar melhor as alterações identificadas e compreender as orientações sobre o tratamento. “A inteligência artificial pode aumentar a quantidade de informações disponíveis para auxiliar o profissional na tomada de decisão. Isso também pode facilitar a participação do paciente nas escolhas relacionadas ao próprio tratamento”, destaca Flávia.
Os limites da inteligência artificial
Apesar dos benefícios, a tecnologia tem limites. Os sistemas podem deixar de identificar uma alteração ou apontar como suspeita uma região que não representa necessariamente uma doença. Por isso, os resultados precisam ser avaliados pelo cirurgião-dentista.
“A inteligência artificial não é infalível. Além disso, uma imagem isolada não conta toda a história de um paciente. O diagnóstico exige a análise conjunta dos sintomas, do exame clínico, do histórico de saúde e dos exames complementares”, alerta a especialista.
O cuidado também vale para aplicativos que analisam fotografias da boca e sugerem possíveis diagnósticos. Embora possam oferecer informações gerais, essas ferramentas não substituem uma consulta odontológica.
“Uma fotografia feita pelo celular, por exemplo, não substitui um exame clínico odontológico. Diante de dor, sangramento, inchaço, feridas persistentes ou qualquer alteração na boca, é necessário procurar um cirurgião-dentista”, orienta.
A experiência profissional continua essencial
Para a diretora do CORR, o futuro da odontologia está na integração entre tecnologia, conhecimento científico e experiência clínica. “A odontologia envolve muito mais do que interpretar uma imagem. Existe exame clínico, conhecimento científico, experiência, habilidade técnica, planejamento e tomada de decisões. E existe algo que nenhuma tecnologia deve substituir: a relação humana”, ressalta.
A especialista reforça que a inovação deve contribuir para aprimorar o atendimento sem deixar de lado a escuta e o cuidado individualizado. “Devemos utilizar a tecnologia para nos ajudar a enxergar melhor, planejar melhor e prevenir mais. A inteligência artificial pode ampliar nossos olhos, mas quem escuta, interpreta, decide e cuida será sempre o cirurgião-dentista experiente”, conclui a especialista.
Flávia Rabello de Mattos
Localizada há mais de 30 anos na Tijuca, no Rio de Janeiro, a clínica Centro de Reabilitação Rabello (CORR) é dirigida pela cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos e se destaca por oferecer uma abordagem integrada e personalizada em reabilitação oral. Flávia Rabello de Mattos é a primeira doutora em Implantodontia do estado do Rio de Janeiro, pós-doutorada em Engenharia dos Materiais pelo IME-RJ, além de mestre e doutora em Odontologia.
Site: draflaviarabellodemattos.com.br | @flaviarabellodemattosoficial













