A discussão sobre a viabilidade do passe livre no transporte público brasileiro precisa considerar, além das fontes de financiamento, a capacidade de planejar, operar e avaliar o serviço oferecido à população. A sustentabilidade dessa política depende de compreender a demanda, adequar a oferta e acompanhar os resultados, assegurando qualidade no atendimento e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.
Para Mauricio Corte, vice-presidente de contas estratégicas da Hitachi Mobility Multimodal Solutions (HMMS), investimentos em frota e subsídios precisam estar associados a uma gestão capaz de transformar dados em decisões e melhorias efetivas na operação. “O ponto de partida deve ser a necessidade de deslocamento das pessoas. Precisamos entender onde está a demanda, em quais horários ela ocorre e como organizar a rede para atendê-la. O financiamento é fundamental, mas a sustentabilidade do passe livre também depende de como os recursos são aplicados e dos resultados entregues à população”, afirma Corte.
O executivo explica que a integração entre planejamento, programação e acompanhamento da operação permite dimensionar melhor a frota e as equipes, avaliar alternativas e corrigir desvios. Os dados da operação, inclusive em tempo real, devem alimentar continuamente esse processo, permitindo comparar o serviço planejado com o efetivamente realizado.
“A eficiência precisa ser avaliada junto com a qualidade do atendimento. Reduzir quilômetros ou veículos, por si só, não significa melhorar o sistema. É necessário reduzir desperdícios, preservar a cobertura e oferecer regularidade e confiabilidade. A tecnologia contribui quando dá ao gestor condições de decidir com base em evidências e demonstrar o que foi entregue à sociedade”, diz.

São Paulo e Londrina já operam com plataforma da HMMS
No Brasil, as soluções integradas da plataforma já apresentam resultados práticos em diferentes escalas urbanas. Em São Paulo, a implementação com a SPTrans vai abranger toda a frota paulistana no maior projeto de ITS do mundo, envolvendo 13 mil ônibus, 1.300 linhas e 24 operadoras, impactando sete milhões de passageiros diariamente. Na capital paulista, o passe livre nos ônibus municipais, conhecido como Domingão Tarifa Zero, está em vigor desde dezembro de 2023.
Em Londrina (PR), o sistema opera plenamente, cobrindo 100% da frota de 384 ônibus e a totalidade das linhas urbanas do município. O transporte público da cidade apresentou forte recuperação e chegou a alcançar cerca de 90% a 93% do volume de passageiros do período pré-pandemia (2019) ao longo de 2025, distanciando-se positivamente da média de outras cidades brasileiras que ainda operam em patamares inferiores.
Previsão de cenários
Segundo Corte, oferecer tarifa zero significa antecipar um aumento expressivo e dinâmico na demanda de passageiros, cenário que não se sustenta com controles manuais ou planilhas fragmentadas. “Conseguimos testar dezenas de cenários operacionais complexos em questão de minutos, avaliando desde os horários ideais de partidas até os custos tarifários de energia e a logística de recarga de frotas mistas. Essa capacidade analítica preditiva permite entregar maior frequência e regularidade ao menor custo unitário possível, viabilizando economicamente o passe livre sem sobrecarregar a cidade”, conclui o executivo.
Hitachi Mobility Multimodal Solutions
A Hitachi Mobility Multimodal Solutions, antiga Clever Devices, é referência global em Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS), com presença em mais de 300 cidades ao redor do mundo. Suas soluções apoiam operadoras e órgãos gestores na digitalização da mobilidade urbana, oferecendo ferramentas para planejamento, organização e controle das frotas em tempo real. A empresa atua para tornar o transporte público mais previsível, eficiente e centrado nas pessoas, com o objetivo de contribuir para a mobilidade global e melhorar a experiência de deslocamento nas cidades.










