O avanço da educação digital não significou o fim das salas de aula. Pelo contrário. Em um mercado cada vez mais competitivo, escolas tradicionais de idiomas passaram a investir em uma estratégia híbrida, ampliando o portfólio para atender diferentes perfis de estudantes e novas formas de consumo da educação.
É esse movimento que marca os 60 anos do BRASAS, uma das redes mais tradicionais do ensino de idiomas no Brasil. Em vez de concentrar os investimentos em apenas um formato, a instituição decidiu apostar, simultaneamente, na expansão física e digital: inaugura, em agosto, sua primeira unidade presencial na cidade de São Paulo e lança oficialmente o BRASAS On Demand, modalidade de ensino com aulas 100% gravadas.
A estratégia reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. Se antes o ensino presencial era praticamente a única opção, hoje os alunos buscam experiências diferentes conforme sua rotina, disponibilidade de tempo e objetivos profissionais.
Nos últimos três anos, a base de alunos do BRASAS Online, modalidade de aulas remotas ao vivo, cresceu 68,4%. Atualmente, cerca de 20% dos estudantes da instituição já optam pelo formato digital ao vivo. O novo curso assíncrono surge justamente para atender um público que busca ainda mais flexibilidade.
“Percebemos que o estudante de hoje não procura apenas aprender inglês; ele quer escolher como aprender. O presencial continua extremamente relevante, mas há um público crescente que precisa de autonomia para estudar no próprio ritmo. Nossa estratégia foi ampliar as possibilidades sem abrir mão da metodologia que construímos ao longo de seis décadas”, afirma Patrícia Monteiro, diretora de Educação Digital do BRASAS.
Ao mesmo tempo em que amplia sua presença digital, a instituição reforça sua aposta no ensino presencial ao entrar no maior mercado educacional do país. A primeira unidade paulistana recebeu investimento de R$ 300 mil e foi instalada na Vila Olímpia, bairro que concentra empresas nacionais e multinacionais e reúne um público que utiliza o inglês diariamente em suas atividades profissionais.
Para Peter O’Donnell, CEO do BRASAS, a combinação entre expansão física e digital representa uma adaptação às novas demandas do setor, sem abandonar os diferenciais que consolidaram a marca.
“Não encaramos o digital como substituto do presencial. São formatos complementares. Há alunos que valorizam a interação diária em sala de aula e outros que precisam de flexibilidade para estudar quando e onde puderem. Nosso papel é oferecer diferentes caminhos de aprendizagem mantendo o mesmo padrão acadêmico”, afirma.
A movimentação ocorre em um momento de profundas transformações no mercado de educação. Além da concorrência com aplicativos de idiomas, plataformas internacionais e ferramentas baseadas em inteligência artificial, as instituições tradicionais disputam um consumidor mais exigente e acostumado à personalização dos serviços.
Ao mesmo tempo, os indicadores mostram que o potencial de crescimento permanece elevado. Segundo o EF English Proficiency Index (EF EPI), o Brasil ocupa apenas a 81ª posição entre 116 países avaliados em proficiência em inglês, sendo classificado com nível baixo de domínio do idioma.
Na avaliação do BRASAS, esse cenário amplia a necessidade de modelos capazes de atender públicos distintos, desde estudantes que preferem a experiência presencial até profissionais que conciliam trabalho, estudos e outras atividades.
Fundado em 1966, o BRASAS reúne atualmente cerca de 18 mil alunos, mais de 45 unidades distribuídas entre Rio de Janeiro, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e, agora, São Paulo, além de uma equipe de mais de 400 professores. Ao longo de sua história, a instituição já formou mais de 150 mil estudantes.
O lançamento do BRASAS On Demand e a abertura da unidade paulistana simbolizam a nova fase da empresa: preservar a tradição construída em seis décadas enquanto adapta o modelo de negócios às novas formas de aprender. Em um setor que vive rápida transformação tecnológica, a aposta é que o futuro da educação de idiomas não esteja na substituição de um formato por outro, mas na convivência entre diferentes experiências de aprendizagem capazes de atender às necessidades de cada aluno.















