No Brasil, a participação feminina no mundo dos negócios segue em expansão, mas ainda enfrenta barreiras significativas no acesso aos níveis mais altos de comando. Segundo levantamento do Sebrae, mais de 10,4 milhões de brasileiras estão à frente de negócios no país, o maior número já registrado e reflexo da crescente participação feminina no empreendedorismo nacional. Ainda assim, o acesso aos níveis mais altos de comando segue sendo um desafio.
É nesse cenário que histórias concretas ajudam a ilustrar como a liderança feminina vem se consolidando na prática. Em setores distintos – do food service à tecnologia – executivas têm transformado desafios estruturais em estratégia, inovação e crescimento. Mais do que ocupar espaço, elas têm redefinido a forma de gerir e expandir negócios.
A seguir, mulheres que estão à frente de negócios compartilham aprendizados e conselhos para quem deseja assumir posições de liderança:
Juliana Cicereli – inovação e transformação digital no Grupo Rão
Na área de tecnologia, Juliana Cicereli assume a liderança como Head de Tecnologia do Grupo Rão, responsável pelas marcas Sushi Rão, Pizza do Rão, Najah Rão, China Rão, Rão Burger, Rão Grill e Bob Beef.
Com quase duas décadas de experiência profissional, ela lidera a estratégia tecnológica da holding, fortalecendo soluções digitais, otimizando processos e ampliando oportunidades de crescimento. Sua atuação destaca a presença feminina em áreas decisivas para competitividade e inovação no mercado atual.
“A tecnologia ainda é vista como um ambiente predominantemente masculino, mas isso está mudando. Meu conselho é investir em formação contínua e não se intimidar por ambientes desafiadores. O conhecimento técnico abre portas — e a confiança mantém essas portas abertas”, afirma Juliana.
Arlete Wolfram – de lanche para os filhos à um império saudável
Fundadora da rede de franquias Porto do Sabor, especializada em alimentação saudável, Arlete começou de forma despretensiosa, mas extremamente visionária. A história teve início em 1997, no Rio de Janeiro. Preocupada com a qualidade da alimentação oferecida aos filhos no colégio, Arlete passou a preparar lanches saudáveis para eles levarem na mochila. A repercussão foi imediata: os colegas se encantaram pelas merendas caseiras e nutritivas, e o que era cuidado materno rapidamente se transformou em oportunidade de negócio. Assim nasceu o Porto do Sabor.
Hoje, quase três décadas depois, o Porto do Sabor soma mais de 40 unidades no território carioca e segue em expansão. Para democratizar o acesso ao empreendedorismo, a marca aposta no modelo de microfranquia, com investimento inicial a partir de R$ 135 mil — estratégia que também amplia a presença feminina no franchising.
Tamiris Fidelis – O amor por café deu origem a um negócio de milhões
Ao lado do esposo, Tamiris Fidelis criou uma rede de cafeterias no Rio de Janeiro, o Justo Café. Empreendedora nata, sempre quis ter o próprio negócio. Começou a trabalhar no restaurante dos pais ainda muito jovem e, foi com essa bagagem, que ela criou a marca em 2018. A rede é conhecida pelo cardápio exclusivo, bebidas gourmets e ambiente aconchegante. Hoje conta com 5 unidades em funcionamento e outra que vai inaugurar mês que vem, em abril.
Visando expandir a marca, em 2024 O Justo Café entrou para o sistema franchising. Para este ano, a meta é alcançar R$8MM com 8 lojas abertas.
Arianne Bastos – gestão estratégica à frente do Boteco Mané
À frente do Boteco Mané, marca do Grupo Impettus, Arianne Bastos representa a força feminina em um segmento historicamente competitivo: o de bares e botecos. Sócia-fundadora do Mané, ela concilia paixão pela gastronomia com uma gestão estruturada, atuando diretamente na administração, no desenvolvimento de estratégias comerciais e na liderança de equipes. Com rigor no controle financeiro e visão de crescimento, participa das decisões estratégicas que sustentam a expansão e o posicionamento do negócio.
“O food service é um setor intenso e competitivo. Para quem quer empreender, meu conselho é conhecer profundamente a operação — entender custos, fluxo de caixa e rotina da equipe. Paixão é essencial, mas disciplina financeira e gestão de pessoas são o que sustentam o negócio no longo prazo”, afirma Arianne.










