Enquanto grande parte das redes de franquia ainda concentra seus esforços nas capitais, a OdontoTop seguiu na direção oposta. A rede de hospitais odontológicos teve a sua trajetória investimentos em cidades pequenas e médias do interior da Região Sul, estratégia que permanece como foco principal da empresa há quase 15 anos.
Hoje, 60% das unidades da empresa estão localizadas no interior e são responsáveis por cerca de 65% (cerca de R$ 193 milhões) do faturamento total da rede. Fundada em 2012 em Maravilha (SC), cidade de 28 mil habitantes, a rede priorizou municípios fora do radar das grandes marcas. Em 2025, o faturamento total da rede girou em torno de R$ 300 milhões, com maior protagonismo em Santa Catarina (R$ 126 milhões) e Paraná (R$ 87 milhões), este último estado com 23 unidades.
Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontaram que o setor já está presente em 69% dos municípios do país, cerca de 7 em cada 10 cidades do país. No caso da empresa, esse posicionamento está diretamente ligado à sua origem. A cidade de Maravilha (SC), berço da rede, tem uma população de 30 mil habitantes e lidera o faturamento entre todas as unidades do país. Na sequência aparece São José do Cedro (SC), município com aproximadamente 14 mil habitantes.
Segundo Cristiano Demartini, CEO da OdontoTop, o chamado “DNA do interior” se traduz em uma operação que se desenhou para atender mercados originalmente com menor oferta de serviços odontológicos especializados como cirurgias, exames e implantes, ocupando vazios assistenciais e ampliando o acesso da população a tratamentos mais complexos.
“Em cidades com menos de 10 mil habitantes, como Iporã do Oeste (SC), mesmo com estruturas mais enxutas, conseguimos operar e manter uma relação muito próxima com o paciente. Nesses mercados, a unidade acaba se tornando uma referência regional, atraindo pessoas de municípios vizinhos e atendendo uma demanda reprimida por procedimentos que, antes, exigiam deslocamento para grandes centros”, afirma Cristiano Demartini.
A presença em mercados menores também exige uma lógica própria de análise. Entre os pontos avaliados estão cultura da cidade, renda média familiar, raio de influência regional da cidade e a demanda reprimida por procedimentos.
Outro fator que contribui para a performance está no perfil do franqueado. Segundo a ABF, 63% dos operadores em cidades menores atuam diretamente na gestão do negócio, ao contrário das capitais, onde é mais comum a figura do investidor ausente. Na prática, isso se traduz em maior controle operacional, proximidade com a equipe e melhor experiência para o paciente.
Internacionalização foi prioridade
A estratégia da OdontoTop também chama atenção por outra decisão pouco convencional. Antes de avançar de forma mais robusta para capitais como Porto Alegre, Florianópolis ou Curitiba, a rede optou por dar um passo internacional, com a abertura de unidade na cidade de Santa Rita, uma cidade de 38 mil habitantes no Paraguai.
“Optamos por iniciar esse movimento pelo Paraguai porque encontramos uma combinação favorável entre proximidade logística e ambiente de negócios. Santa Rita está relativamente próxima da nossa operação no Brasil, o que facilita a gestão e o suporte à unidade. Além disso, o país oferece condições atrativas para o setor de serviços, com pouca burocracia e custos operacionais mais enxutos. Na prática, o investimento necessário para implantar uma clínica pode ser semelhante ao de cidades menores brasileiras, diz Demartini.
Chegada ao mercado paulista e próximos passos
Mesmo com o avanço gradual em algumas cidades maiores como Goiânia e Joinville, a interiorização também segue como eixo central para a expansão em novos estados. No início de abril, a empresa inaugurou sua primeira unidade no estado de São Paulo, na cidade média de Indaiatuba, com cerca de 269 mil habitantes.
“O interior tem mercados com menor saturação e custo de captação mais baixo, onde ainda existe espaço para crescer de forma estruturada e gradual. Isso não significa que descartamos chegar aos grandes centros, mas esse não é o foco nem no curto, nem no médio prazo”, finaliza Cristiano Demartini.
Para o segundo semestre de 2026, a empresa também visa o aumento de desempenho das unidades já existentes em relação a vendas, além da abertura de novas unidades, para encerrar o ano com 100 hospitais odontológicos em funcionamento.














