Quem faz uma compra internacional pelo celular provavelmente continuará vendo uma operação simples e rápida na tela. Nos bastidores, porém, o caminho percorrido pelo dinheiro terá novas regras a partir de 1º de outubro de 2026, quando entra em vigor a Resolução BCB nº 561, que atualiza a regulamentação do serviço de pagamento ou transferência internacional, conhecido como eFX.
Para Marina Alves, CEO da Brazil Pays, a mudança mostra como a evolução dos pagamentos internacionais vem sendo acompanhada por uma estrutura regulatória cada vez mais detalhada.
“Para o consumidor, muita coisa continuará acontecendo em poucos segundos. O que muda de forma importante está nos bastidores, com mais informações, controles e responsabilidades para quem participa da operação internacional”, explica Marina Alves.
O eFX é o serviço que viabiliza* diferentes modalidades de pagamentos e transferências internacionais, e a nova norma atualiza as regras para quem o presta. As novas regras reforçam aspectos relacionados à identificação dos participantes, relacionamento com clientes e contrapartes no exterior, manutenção de informações e acompanhamento das operações. A norma também determina que instituições autorizadas que prestam eFX incluam essa modalidade no Unicad até 30 de outubro.
“Quando alguém compra no exterior, o que enxerga é a etapa final. Existe uma infraestrutura responsável por processar informações e fazer os recursos chegarem ao destino de acordo com as regras aplicáveis. É justamente essa engrenagem que precisa estar cada vez mais preparada”, afirma a CEO da Brazil Pays.
Outro ponto relevante está na forma como as operações passam a ser classificadas. A regulamentação contempla categorias específicas para aquisição de bens e serviços, cartões internacionais, soluções digitais de pagamento, ativos virtuais, jogos e apostas, transferências entre contas de mesma titularidade, saques e operações relacionadas aos mercados financeiro e de valores mobiliários.
Na prestação de informações ao Banco Central, também haverá mudança. Para operações realizadas a partir de outubro, o modelo anterior de reporte das transações eFX será substituído por novos documentos, ampliando o detalhamento das informações enviadas ao regulador.
“Não estamos falando apenas de uma troca de arquivos ou códigos técnicos. Existe um movimento para tornar o fluxo internacional mais organizado, identificável e compatível com o crescimento dos meios digitais de pagamento”, diz Marina.
A regulamentação ainda estabelece regras específicas para o trânsito dos recursos em reais e veda a compensação, pelo prestador de eFX, entre valores recebidos de um usuário e valores entregues a outro. Também existem regras de transição para determinados prestadores atualmente não autorizados pelo Banco Central, incluindo prazo até 31 de maio de 2027 para solicitação de autorização nos casos previstos pela norma.
Segundo Marina, essas mudanças ajudam a explicar por que uma operação internacional não deve ser confundida apenas com aquilo que aparece na tela do consumidor.
“Pagamento internacional envolve tecnologia, processamento, câmbio, liquidação, controles e diferentes participantes. Quanto mais simples fica a experiência para o cliente, mais importante se torna uma infraestrutura bem estruturada por trás dela”, destaca.
Para a Brazil Pays, fintech especializada em soluções de pagamentos internacionais entre Brasil e Estados Unidos, acompanhar as mudanças regulatórias é parte de atuar em um mercado que cresce ao mesmo tempo em que amadurece.
“A tendência é que o consumidor queira pagar no exterior com a mesma facilidade que já encontra nas operações digitais do dia a dia. Nosso desafio é ajudar a tornar essa experiência simples na ponta sem perder de vista tudo o que precisa acontecer nos bastidores para que a operação seja realizada corretamente”, conclui Marina Alves.
















