A conexão entre a ciência básica, desenvolvida nos laboratórios, e a prática clínica, aplicada diretamente aos pacientes, é um dos grandes desafios da saúde no Brasil. Conhecida como pesquisa translacional, essa ponte entre a bancada e o leito hospitalar vive um momento de transição no país, com alto potencial científico, mas ainda marcada por entraves estruturais, burocráticos e financeiros. A avaliação é da médica brasileira Karina Sposito Negrini, profissional que reúne sólida formação acadêmica, experiência em pesquisa e visão prática sobre o sistema de saúde.
Formada em Medicina pela UNIPAR, Karina construiu sua trajetória com forte atuação em pesquisa científica, especialmente nas áreas de farmacologia experimental e doenças hepáticas e metabólicas. Ao longo da graduação, destacou-se pela excelência acadêmica e pela participação ativa em projetos que buscam transformar descobertas laboratoriais em soluções clínicas reais. “Sempre acreditei que a ciência só cumpre seu papel quando consegue impactar diretamente a vida do paciente”, afirma.
Reconhecida por apresentações com louvor em congressos científicos nacionais e internacionais, Karina ganhou destaque pela qualidade metodológica de seus trabalhos, relevância clínica e clareza na comunicação científica. Para ela, o Brasil possui uma base sólida para avançar na pesquisa translacional. “Temos centros de pesquisa de excelência, universidades fortes e pesquisadores respeitados mundialmente, o que nos coloca em uma posição estratégica no cenário global”, destaca.
Outro ponto considerado fundamental é o potencial brasileiro para pesquisa clínica. Com mais de 200 milhões de habitantes e ampla diversidade genética, o país se mostra altamente atrativo para ensaios clínicos. “A população brasileira oferece condições únicas para validar terapias e tecnologias em saúde, algo essencial para transformar ciência básica em tratamento efetivo”, explica Karina.
Nos últimos anos, avanços regulatórios também trouxeram mais otimismo. A Lei 14.874, sancionada em 2024, buscou simplificar e acelerar a aprovação de pesquisas clínicas, aumentando a segurança jurídica e a competitividade do Brasil. “Essa atualização foi um passo importante para reduzir entraves históricos e tornar o país mais atrativo para investimentos em inovação”, avalia.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Karina aponta que a burocracia e a infraestrutura limitada em muitos centros ainda atrasam o avanço das pesquisas. “O tempo entre a descoberta científica e sua aplicação clínica ainda é longo demais, e isso custa oportunidades e vidas”, alerta. O financiamento instável também preocupa. Segundo ela, a falta de políticas públicas consistentes de longo prazo compromete a continuidade de projetos estratégicos.
Outro gargalo histórico é a distância entre pesquisadores de laboratório e médicos assistenciais. “Por muito tempo, ciência básica e prática clínica caminharam separadas, mas a pesquisa translacional surge justamente para unir esses dois mundos”, afirma. Por fim, Karina chama atenção para a centralização da produção científica. “É fundamental descentralizar a pesquisa de ponta e fortalecer outras regiões do país, ampliando o impacto científico e social”, conclui.
















