A Telefónica Seguros e a Kovr Seguradora realizaram na semana passada, em São Paulo, o evento Cyber Reality. O encontro foi marcado pelo debate sobre o seguro cibernético, desenhado para remover as barreiras de entrada das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) no ecossistema de proteção digital.
O evento detalhou a jornada da Telefônica, que desde 2008 desenvolveu uma célula interna de cibersegurança para mitigar riscos financeiros e operacionais. Um dos grandes temas discutidos foi a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos.
Atualmente, o Grupo Telefónica conta com mais de 2.000 fornecedores. O diagnóstico apresentado reforça que, embora grandes empresas possuam robustas camadas de proteção, elas permanecem expostas através de seus parceiros menores, muitas vezes conectados via API ou integrações diretas de dados.
“Se um fornecedor não possui estrutura ou cobertura cyber, uma falha em sua operação pode paralisar a atividade da grande empresa contratante”, destacou Rodrigo Rocha, gerente de Seguro Cyber da KOVR. O seguro surge como uma ferramenta para garantir que toda a rede de fornecedores esteja assistida, evitando o efeito cascata de prejuízos.
O grande diferencial do produto anunciado pela parceria Telefónica/Kovr é a jornada de contratação. Historicamente, o seguro cyber é visto como um processo burocrático, exigindo formulários extensos e auditorias de TI que afastam o pequeno empresário.
Com a solução desenvolvida pela Kovr, o seguro cyber terá uma contratação expressa, que reduziu uma média de 30 questionamentos para apenas 5 perguntas essenciais; e foco nas PMEs, já que o modelo start tem condições simplificadas para atender empresas que possuem recursos limitados.
Eduardo Viegas, VP de Operações do Grupo KOVR, destacou o momento de consolidação do seguro cyber no Brasil. Segundo dados apresentados, o volume de prêmios no país atingiu R$ 173 milhões entre janeiro e setembro de 2025, um salto expressivo de 145% em quatro anos.
Apesar do crescimento, Viegas alertou para o panorama misto da maturidade cibernética nacional. Enquanto o Brasil avançou em controles tecnológicos, ainda opera com cerca de 60% de maturidade, sofrendo com lacunas em governança: 83% das empresas brasileiras ainda não possuem um executivo dedicado exclusivamente à segurança da informação.
O evento também serviu para desmistificar a operação das corretoras cativas. Valquiria Rocha, Country Manager da Telefónica Corretora esclareceu que essas organizações operam sob rigorosa transparência e regulação, atuando como um braço de consultoria especializado que alinha as necessidades de transferência de risco do grupo empresarial às melhores práticas de mercado.
Um dos pontos altos do evento foi a discussão sobre a vulnerabilidade das PMEs. Carmen Gutierrez Lorenzo, Head de Cyber Insurance da Telefónica, enfatizou que as PMEs se tornaram o ponto de entrada para ataques em larga escala devido ao efeito cascata na cadeia de suprimentos.
Para endereçar essa lacuna, Amaia Ayerdi Perez, Global Head de Affinity Insurance da Telefónica Seguros relembrou a trajetória da Telefónica, que desde 2008 gere seu próprio programa de Cyberseguro. A experiência acumulada permitiu à companhia, em parceria com a Kovr, desenhar um produto focado especificamente em PMEs e autônomos.
“Nossa proposta combina capacidade técnica com know-how em modelos tecnológicos da Kovr, permitindo democratizar o acesso ao cyberseguro de forma simples e escalável”, concluiu Amaia.

















