A inteligência artificial já está mudando a forma como empresas planejam, compram e gerenciam viagens corporativas. Mas a transformação vai além da tecnologia: à medida que ferramentas automatizam tarefas e ajudam a tomar decisões, empresas passam a olhar para as viagens e eventos sob uma perspectiva mais estratégica — qual é o retorno de estar presencialmente? Que tipo de experiência justifica o investimento? E quais competências humanas ganham valor quando parte do trabalho operacional pode ser feita por máquinas?
Esse será um dos principais debates do Academia Flow Summit 2026, que acontece em 18 de setembro, no Fairmont Copacabana, no Rio de Janeiro. Realizado pela Academia de Viagens Corporativas, o encontro reunirá cerca de 200 profissionais e 25 especialistas brasileiros e internacionais para discutir inteligência artificial, tendências de mercado, liderança, carreira, wellbeing, tributação e o futuro das experiências em Travel e MICE.
O debate acontece em um mercado que volta a crescer, mas sob novas exigências. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), os gastos globais com viagens corporativas devem alcançar US$ 1,71 trilhão em 2026. No Brasil, a projeção é de US$ 35,8 bilhões, crescimento de 13,8%, acima da expansão global, colocando o país na décima posição entre os maiores mercados mundiais.
Os números ajudam a explicar por que a viagem corporativa deixou de ser apenas uma questão operacional. Com custos mais altos e maior disponibilidade de tecnologia e dados, as empresas precisam decidir não apenas quanto gastar, mas onde o presencial realmente faz diferença.
“Estamos entrando em uma fase em que a viagem corporativa precisa ser analisada como investimento. A pergunta é o que só pode acontecer presencialmente e qual resultado esse encontro pode gerar — relacionamento, conhecimento, negócios, decisão ou engajamento”, afirma Juliana Andrade, sócia-diretora e CMO da Academia de Viagens Corporativas, empresa especializada em inteligência para o mercado de Viagens e Eventos Corporativos.
IA muda o trabalho — e não elimina a necessidade do humano
Entre as aplicações que já ganham espaço no setor estão análise de preços, automação de processos, personalização, previsão de demanda e apoio à tomada de decisão. O avanço tecnológico, porém, também começa a mudar o perfil dos profissionais de Travel e MICE.
Se parte das atividades operacionais pode ser automatizada, competências como pensamento estratégico, criatividade, negociação, liderança, escuta e capacidade de construir experiências passam a ganhar importância.
Essa discussão estará presente no Summit em painéis como “IA no Atendimento – O Que a Tecnologia Nunca Vai Fazer pelo Seu Viajante” e “Carreira na era de IA e Longevidade”.
“Quanto mais a tecnologia assume o operacional, mais o profissional precisa entender o negócio. A IA pode organizar informações e apoiar decisões, mas ainda existe uma dimensão de contexto, relacionamento e experiência que depende da capacidade humana”, afirma Juliana.
Do bleisure ao wellbeing: o viajante corporativo também mudou
A transformação não acontece apenas dentro das empresas. O próprio comportamento do viajante corporativo está mudando, aproximando trabalho, lazer, wellbeing e experiência pessoal.
“Hoje, o viajante não quer necessariamente separar trabalho e vida pessoal em compartimentos tão rígidos. Ao mesmo tempo, a empresa quer entender se aquele investimento gera resultado. Existe uma nova equação entre eficiência, experiência e propósito”, afirma Vivi Martins, CEO da Academia de Viagens Corporativas.
A mudança também chega aos eventos corporativos. Reuniões, convenções, congressos e viagens de incentivo precisam disputar espaço em orçamentos cada vez mais avaliados por critérios de retorno.
O encontro presencial, nesse cenário, não perde relevância — ganha uma nova responsabilidade.
A pergunta passa a ser o que uma reunião presencial consegue produzir que uma tela não consegue: confiança, relacionamento, criatividade, negociação, aprendizado, pertencimento ou negócios.
É essa interseção entre tecnologia, comportamento e estratégia que orienta o Academia Flow Summit 2026. Com programação estruturada nos pilares Future, Leadership, Opportunities e Wellbeing, o evento pretende discutir não apenas o futuro do setor, mas as mudanças que já estão afetando empresas e profissionais.
Além dos debates sobre inteligência artificial e carreira, a programação inclui “Megatrends internacionais e como elas se materializam em Travel e MICE”, ampliando a discussão para tendências que devem influenciar o mercado brasileiro nos próximos anos.
Mais do que perguntar se a IA vai transformar as viagens corporativas, o Summit parte de uma questão que já está diante das empresas: se a tecnologia consegue tornar uma viagem cada vez mais eficiente, o que ainda precisa ser essencialmente humano para que ela gere valor?
















