Mesmo com tecnologia avançada e processos cada vez mais ágeis, as fintechs continuam enfrentando um problema persistente: a escalada das fraudes digitais. O cenário tem se tornado mais complexo à medida que criminosos aprimoram suas estratégias, explorando brechas tanto tecnológicas quanto comportamentais dos usuários.
À frente desse desafio está Marina Alves, CEO da Brazil Pays, que tem atuado diretamente na construção de soluções seguras para o mercado de pagamentos internacionais. A empresa conecta negócios dos Estados Unidos a consumidores brasileiros, permitindo que o cliente pague em reais, via Pix ou cartão parcelado em até 18 vezes, enquanto o lojista recebe em dólar à vista. A proposta amplia conversões e reduz barreiras cambiais, sem abrir mão da segurança.
Para Marina, a evolução das fraudes acompanha de perto o avanço das fintechs. “O ambiente digital trouxe praticidade, mas também abriu espaço para golpes cada vez mais sofisticados. Hoje, o desafio não é apenas tecnológico, mas também educacional”, afirma.
Dados recentes mostram que o volume de tentativas de fraude digital cresceu mais de 56% apenas no primeiro semestre de 2025, com prejuízos estimados em bilhões de reais. Entre os golpes mais comuns estão as falsas centrais de atendimento, conhecidas como vishing, e o golpe da falsa venda, que utiliza sites fraudulentos e ofertas enganosas para atrair vítimas.
Além disso, o sistema de pagamentos instantâneos também se tornou alvo. Criminosos utilizam chaves Pix ativas, muitas vezes vinculadas a dados obtidos ilegalmente, para realizar transações fraudulentas. “O Pix é uma ferramenta extremamente eficiente, mas, como qualquer inovação, exige camadas adicionais de proteção e conscientização do usuário”, explica Marina Alves.
Outro fator que contribui para o aumento das fraudes é a facilidade de abertura de contas digitais, sem a necessidade de presença física. Embora isso democratize o acesso aos serviços financeiros, também amplia o risco de fraudes de identidade. “A inclusão financeira é fundamental, mas precisa vir acompanhada de mecanismos robustos de verificação”, destaca.
A relação entre segurança e experiência do usuário também é um ponto sensível. Quando uma fintech solicita a confirmação de uma compra suspeita, a reação dos clientes é ambígua. Por um lado, há a sensação de proteção. Por outro, muitos usuários relatam ansiedade, estresse e frustração, especialmente quando enfrentam bloqueios indevidos.
Estudos indicam que cerca de 70% dos clientes que passam por esse tipo de situação experimentam algum nível de desconforto. Ainda assim, a forma como a empresa conduz o processo pode fazer toda a diferença. “Quando a comunicação é clara e a solução é rápida, o cliente entende que está sendo protegido, e isso fortalece a confiança”, diz Marina.
Esse cuidado impacta diretamente a fidelização. Fintechs que adotam notificações proativas conseguem reduzir a perda de clientes em até 35%. Em muitos casos, a experiência de segurança bem-sucedida transforma um momento negativo em um fator de lealdade.
Diante desse cenário, Marina Alves reforça que a proteção deve ser compartilhada entre empresas e usuários. “Não existe segurança absoluta. O que existe é um esforço contínuo de prevenção, tecnologia e conscientização”, afirma.
Entre as principais recomendações, ela destaca o uso de autenticação multifator, com biometria e senhas fortes, além da necessidade de desconfiança ativa por parte dos usuários. “Nunca clique em links recebidos por SMS ou WhatsApp. Sempre confirme diretamente no aplicativo oficial da instituição”, orienta.
A CEO também alerta para sinais comuns de fraude, como preços muito abaixo do mercado e erros básicos em sites. “O consumidor precisa desenvolver um olhar crítico. Muitas fraudes poderiam ser evitadas com atenção a detalhes simples”, conclui.
Em um ambiente onde a inovação avança rapidamente, a segurança deixa de ser um diferencial e passa a ser uma exigência permanente, tanto para empresas quanto para consumidores.















