Do brigadeiro por delivery aos contratos corporativos: irmãs do interior do Tocantins expandem negócio criado na pandemia
Depois de quase fecharem as portas em 2024, empreendedoras capacitadas pela Aura Almas profissionalizaram a produção, ampliaram o atendimento a empresas e incorporaram sabores do Cerrado, como buriti e mangaba, ao cardápio
O que começou como uma alternativa ao tédio do isolamento social durante a pandemia de 2020 transformou-se em história de empreendedorismo no interior do Tocantins. As irmãs Samira e Samara de Oliveira, nascidas e criadas em Almas, a 300 km de Palmas, saíram de um modesto delivery de doces caseiros para fechar contratos corporativos e levar os sabores típicos do Cerrado para uma das maiores feiras do segmento da mineração, em Belo Horizonte (MG).
A ideia nasceu quando a rotina intensa de estudos foi interrompida pela crise sanitária. Para proteger a avó do contágio do vírus, a família mudou-se para a chácara mantida pelos parentes na zona rural da cidade. Foi ali que Samira e Samara começaram a vender brigadeiros e “copos da felicidade” (copo com doce de diversos sabores e pedaços de bolo) por entrega para movimentar os dias parados.
Com a demanda em crescimento, veio a coragem para dar o primeiro grande passo: a abertura de uma lanchonete física na cidade, viabilizada por um empréstimo bancário e pelo apoio dos pais, que cederam o espaço onde antes funcionava a papelaria da família.
Primeira sede da Coffee Break, instalada na antiga casa dos avós das empreendedoras, na zona rural de Almas (TO).
O salto impulsionado pelo setor mineral
A chegada do setor mineral à região ampliou o fluxo de trabalhadores e abriu novas oportunidades para pequenos negócios de Almas. Samira e Samara passaram a expandir o cardápio e a atender reuniões e empresas com serviços de coffee break.
Em 2024, porém, uma forte queda nas vendas colocou o negócio em risco. Foi nesse período que as irmãs passaram a participar de programas de capacitação promovidos pela Aura em parceria com entidades de apoio ao empreendedorismo, como o Sebrae. Os treinamentos ajudaram a reorganizar processos, aprimorar o padrão de entrega e preparar a empresa para atender clientes corporativos.
“A gente sempre gostou de participar de tudo e aprender. As críticas e os treinamentos nos ajudaram a evoluir o padrão de entrega“, relata Samara. Com a profissionalização, vieram contratos diretos de fornecimento de lanches e a necessidade de ampliar a estrutura de produção, consolidando uma nova etapa do negócio.
A experiência das irmãs está inserida em uma frente mais ampla da cultura Aura 360, que inclui o desenvolvimento e a qualificação de fornecedores nos territórios onde a companhia opera. Em 2025, a Aura destinou US$174,7 milhões a compras locais nas Américas, o equivalente a 43% de seus gastos com suprimentos, e capacitou 150 empreendedores no Brasil.
Em Almas, um dos programas inclui um ciclo de nove meses voltado a micro e pequenas empresas da região, com 15% das vagas reservadas a negócios liderados por mulheres. Ao final, os participantes qualificados podem integrar o cadastro de potenciais fornecedores da companhia.
“Nosso objetivo é ampliar a capacidade dos negócios locais de crescer com mais estrutura e competitividade, independentemente de atenderem diretamente à Aura. Quando esses empreendedores evoluem, a própria comunidade se fortalece”, destaca Isabela Dumont, diretora de Pessoas, ESG e Comunicação da Aura.
Irmãs Samira e Samara apresentam os doces da Coffee Break, durante a Exposibram, em Belo Horizonte (MG)
Sabores do Cerrado abrem novas portas
Amparadas pelo aprendizado corporativo, Samira e Samara deram um passo além: a valorização das matérias-primas locais. Elas passaram a incorporar ativamente frutas nativas do Tocantins como o buriti, a mangaba e o caju, na confecção de seus produtos.
A aposta no resgate da identidade gastronômica do Cerrado abriu portas além das fronteiras estaduais. Recentemente, as empresárias embarcaram para Belo Horizonte (MG) para apresentar seus doces, na Exposibram, em uma exposição de alcance nacional voltada para empresas e negócios de mineração, promovendo rodadas de degustação e trocas culturais.
“Muitas pessoas fora do Tocantins ainda não conhecem a riqueza das nossas frutas. Trazer o sabor do buriti e da mangaba para outros públicos é uma forma de apresentar o nosso Estado através da gastronomia”, destaca Samira.
Chamadas carinhosamente de “doidas” por moradores no início da empreitada, as irmãs agora planejam uma nova etapa de expansão. Elas adquiriram um lote em Almas onde pretendem construir a sede própria da empresa e ampliar a produção, mantendo os sabores regionais como parte central da identidade da marca.
A Aura
A Aura é uma empresa focada no desenvolvimento e operação de projetos de ouro e metais básicos nas Américas. A Companhia possui seis minas em operação, incluindo a mina de ouro Minosa, em Honduras; as minas de ouro Apoena, Almas, Borborema e Mineração Serra Grande, no Brasil; e a mina de cobre-ouro-prata Aranzazu, no México. Além disso, a Companhia possui Era Dorada, um projeto de ouro na Guatemala, e dois projetos no Brasil: Matupá, em desenvolvimento, e o projeto de cobre Carajás, na fase de exploração.