Treinar equipes já faz parte do orçamento da maioria das empresas no Brasil. Mostrar o que esse investimento muda na operação, porém, ainda é exceção. Segundo o Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), 89% das companhias participantes têm verba anual definida para a área, com investimento médio de R$ 1.199 por colaborador. Apenas 3% dos projetos, no entanto, são avaliados pelo impacto no negócio, e 1% pelo retorno sobre o investimento.
A avaliação mais comum ainda é a reação dos participantes, presente em 71% dos projetos. Saber se a turma gostou do curso ajuda a melhorar a experiência, mas não mostra se alguém passou a trabalhar de outro jeito.
Para Eduardo Mitelman, CEO e cofundador da DNA Educação, o problema começa antes do curso. “A maioria dos treinamentos nasce de um tema, não de uma meta. Nós começamos pela pergunta de negócio: qual indicador precisa mudar e o que, no dia a dia das pessoas, impede essa mudança. Só depois decidimos conteúdo e formato”, afirma.
Uma equipe comercial pode precisar reduzir erros em propostas. Uma operação de atendimento pode precisar resolver demandas com menos retrabalho. Em cada caso, o indicador acompanhado é diferente, e o programa é desenhado a partir de como o trabalho é feito de fato, e não de um catálogo de cursos.
O segundo desafio é fazer o aprendizado chegar a quem precisa, na hora em que precisa. “Pensamos sempre no colaborador numa sexta-feira, às 17h, com um problema real para resolver antes de ir embora. Se o que ele aprendeu não estiver ao alcance dele nesse momento, em poucos minutos, o treinamento não serviu ao negócio”, diz Mitelman.
É aí que entra a inteligência artificial. A DNA usa IA para entender a rotina e a agenda das equipes e para transformar o conteúdo em formatos curtos, que podem ser consultados no fluxo de trabalho. O método combina o diagnóstico de uma consultoria com a capacidade criativa de uma agência, para que a experiência seja usada no dia a dia, e não apenas concluída.
A pressão por novas competências deve manter o tema na agenda das empresas. No relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 63% dos empregadores apontam a falta de habilidades como barreira relevante à transformação dos negócios, e 85% planejam priorizar a capacitação dos funcionários até 2030.
Isso exige mais critério na hora de investir e de medir. “Nem todo treinamento terá um retorno financeiro que possa ser isolado em uma conta. Mas toda iniciativa pode partir de um objetivo claro e ser acompanhada por evidências de mudança, como menos erros, mais autonomia da equipe ou um processo mais ágil”, afirma Mitelman.
A mensuração também precisa considerar outros fatores. Uma alta nas vendas após um treinamento, por exemplo, pode ter relação com preços, demanda ou mudanças na equipe. Por isso, a DNA compara indicadores antes e depois da capacitação e ouve gestores e profissionais, sem atribuir automaticamente todo o resultado ao curso.
Para Mitelman, aproximar o treinamento da estratégia do negócio leva a gestão a uma pergunta mais útil: “O que as pessoas passaram a fazer melhor depois de aprender?”
DNA Educação
A DNA Educação é uma consultoria de educação corporativa que desenha programas de aprendizagem para transformar indicadores de negócio. A empresa une diagnóstico estratégico, produção audiovisual e inteligência artificial em experiências presenciais, digitais e híbridas para grandes empresas.













