Com a cobrança integral da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) prevista para 2027, a reforma tributária brasileira entra em uma fase decisiva de preparação das empresas. Embora 2026 seja um período de adaptação e testes, as mudanças já exigem atualizações nos sistemas fiscais e podem afetar automações utilizadas em atividades financeiras, administrativas e de compras. Alterações em campos, regras de cálculo e estruturas de sistemas podem comprometer tarefas automatizadas, provocando erros, retrabalho e atrasos nas operações.
O processo de adequação já está em andamento. Segundo dados divulgados pela Receita Federal em outubro de 2026, 86% dos documentos fiscais emitidos por empresas obrigadas a destacar a CBS já apresentavam o novo tributo. Nos 30 dias analisados, foram 3,7 bilhões de documentos com a informação e outros 600 milhões sem o destaque. A transição para o novo modelo tributário ocorrerá gradualmente até 2033, mas as exigências tecnológicas já demandam atenção das empresas.
Segundo a Smarthis, empresa brasileira especializada em inteligência artificial, dados e automação, um dos principais desafios está nas soluções que executam tarefas a partir de regras e informações específicas dos sistemas. Quando esses parâmetros são alterados, as automações podem precisar de ajustes para continuar funcionando corretamente, especialmente em organizações que utilizam diferentes plataformas para integrar suas operações.
“Uma automação pode funcionar perfeitamente hoje, mas dependerá de campos e regras que serão modificados com a reforma tributária. Se essas mudanças não forem consideradas, processos que antes eram executados automaticamente podem apresentar falhas ou exigir intervenção manual. O desafio é garantir que a adaptação tecnológica acompanhe as mudanças fiscais sem comprometer a operação”, explica Allexley Bernacchi, CEO e fundador da Smarthis.
Impactos podem ultrapassar as áreas fiscal e contábil
Embora a reforma tributária esteja diretamente relacionada às obrigações fiscais, seus efeitos tecnológicos podem alcançar diferentes departamentos. Nas áreas de compras e suprimentos, por exemplo, automações utilizadas para cadastrar fornecedores, registrar pedidos e validar informações fiscais podem precisar de adaptações. O mesmo ocorre em processos financeiros que dependem da leitura e do processamento de documentos fiscais.
Outro desafio está na integração entre sistemas, já que grandes empresas frequentemente utilizam diferentes plataformas que nem sempre são atualizadas no mesmo ritmo. Durante a transição, a própria automação pode ajudar a conectar essas ferramentas e garantir a continuidade das atividades enquanto determinadas integrações não estiverem concluídas.
Mapeamento antecipado pode reduzir riscos operacionais
Para as empresas que utilizam automação em larga escala, o primeiro passo é identificar os processos que dependem de informações tributárias e avaliar como serão afetados pelas novas regras. O levantamento deve incluir testes de funcionamento, revisão das regras de negócio e acompanhamento das atualizações realizadas pelos fornecedores de tecnologia, especialmente em operações com grande volume de transações.
Na avaliação da Smarthis, embora o prazo para a próxima etapa da reforma esteja se aproximando, o uso da inteligência artificial pode ajudar as empresas a acelerar esse trabalho, desde a identificação dos processos impactados até a realização dos ajustes necessários.
“Ainda há tempo para as empresas se adequarem às novas exigências da reforma tributária, e a inteligência artificial pode ser uma grande aliada para acelerar esse processo. Com o uso da tecnologia, é possível mapear as automações existentes, identificar possíveis impactos das mudanças fiscais e agilizar os ajustes necessários em atividades como emissão de notas fiscais e processamento de impostos. O prazo está se aproximando, mas a IA pode ajudar as empresas a ganhar velocidade nessa adaptação”, concluir Allexley Bernacchi, CEO e fundador da Smarthis.











