A partir desta terça-feira, aposentados e pensionistas do INSS que quiserem contratar empréstimo consignado terão de passar por uma nova etapa: a validação biométrica facial dentro do aplicativo ou site Meu INSS.
A medida muda a rotina de milhões de beneficiários e representa uma tentativa do governo de reduzir fraudes que vinham sendo alvo frequente de reclamações nas redes sociais e também de órgãos de fiscalização.
Na prática, depois de solicitar o crédito ao banco, o segurado receberá a proposta no sistema do INSS com o status de “pendente de confirmação”.
O usuário terá até cinco dias corridos para fazer o reconhecimento facial. Caso não conclua a etapa, o contrato será automaticamente cancelado.
Além da biometria, outra mudança importante mexe diretamente no bolso do aposentado: o teto de comprometimento da renda caiu de 45% para 40% nos benefícios previdenciários. Para quem recebe BPC, o limite ficou em 35%.
Reação online
Nas redes sociais, o assunto rapidamente ganhou espaço entre aposentados, advogados previdenciários e especialistas em finanças. O tom predominante das discussões mistura alívio e preocupação.
De um lado, muitos usuários comemoram a criação de uma barreira extra contra golpes. De outro, há dúvidas sobre a capacidade de parte dos idosos de lidar com ferramentas digitais.
Em grupos sobre aposentadoria, uma das críticas mais recorrentes envolve justamente a dependência do celular e da internet para concluir a contratação.
Muitos internautas relatam receio de dificuldades com reconhecimento facial, especialmente entre idosos com pouca familiaridade tecnológica.
Outra discussão forte nas plataformas digitais envolve o histórico recente de denúncias de fraudes e descontos indevidos em benefícios.
Comentários publicados em fóruns e comunidades online citam investigações, decisões do TCU e relatos de empréstimos contratados sem autorização dos beneficiários.
Nova lógica
Para especialistas da área previdenciária, as mudanças mostram uma tentativa de transformar o consignado em uma operação mais rastreável e menos vulnerável à ação de intermediários.
Segundo Luiz Claudio Ferreira, as novas exigências surgem em meio ao aumento da pressão por mecanismos de segurança no crédito destinado a aposentados e pensionistas.
A legislação também proibiu a contratação por telefone e por procuração de terceiros, prática frequentemente associada a reclamações de assédio comercial e contratações indevidas.
Mais prazo
Embora as regras tenham ficado mais rígidas, houve flexibilização no tempo de pagamento. O prazo máximo dos contratos passou de 96 para 108 parcelas mensais, o equivalente a nove anos. Também será possível começar a pagar a dívida depois de até três meses da contratação.
A mudança ocorre em um momento em que o crédito consignado continua sendo uma das principais fontes de financiamento usadas por aposentados para reorganizar dívidas, complementar renda ou lidar com despesas médicas.
Desafio digital
A principal aposta do governo agora é convencer os beneficiários de que a biometria pode funcionar como proteção, e não como obstáculo. O desafio será equilibrar segurança e acessibilidade num público que ainda enfrenta dificuldades de inclusão digital.
Enquanto isso, nas redes, a percepção dominante parece resumir bem o novo cenário: contratar crédito ficou mais difícil, mas também pode ficar mais seguro.














