Março chega como uma estação de promessas e memórias, e ao celebrarmos o Mês das Mulheres somos convidados a ouvir uma vasta sinfonia de vozes que, ao longo do tempo, forjaram direitos, romperam limites e reinventaram espaços. Há, nas ruas e nas janelas das cidades, marcas de conquistas com trabalho, suor e coragem, desde a presença crescente em cargos de liderança até a força silenciosa de quem empreende nas pequenas e médias iniciativas que sustentam famílias e comunidades.
O empreendedorismo feminino surge, nesse panorama, como expressão de autonomia e criatividade. Mulheres empreendem não apenas por oportunidade, mas por necessidade e vocação, transformando saberes locais em negócios que aquecem economias e redes de solidariedade. Microempreendedoras, profissionais liberais e mulheres da economia digital articulam novos modelos de trabalho que desafiam velhos estigmas, multiplicando referências e abrindo caminhos para gerações que aspiram a igualdade real, não apenas simbólica.
Março é a estação de promessas e memórias, e a cidade respira a cadência de mulheres que inventam caminhos. “Celebrar as mulheres é reconhecer que autonomia econômica não é luxo, é dignidade. E dignidade se constrói com acesso, formação e posicionamento estratégico.”, afirma Karla Fassini, CEO da Rede Imulheres. Em cada esquina, em cada negócio pequeno e em cada projeto, vê‑se a tradução concreta de décadas de luta, conquistas que resistem à efemeridade do calendário e se ancoram na persistência cotidiana.
O empreendedorismo feminino surge como fio que entrelaça sonhos e sustento. Mulheres transformam saberes em negócios, ampliam redes de solidariedade e reconfiguram mercados; são arquitetas de oportunidades que reverberam em famílias e bairros. Karla Fassini lembra que os empreendimentos liderados por mulheres “Empreendimentos liderados por mulheres são mais do que fonte de renda: são espaços de reconstrução de identidade, fortalecimento emocional e geração de impacto social”.
A saúde mental das mulheres merece atenção tão urgente quanto a de qualquer bandeira pública, pois suporta as tensões decorrentes da dupla ou tripla jornada, da discriminação e das violências ora explícitas, ora sutis. O cuidado psicológico e a rede de apoio têm papel central na preservação da dignidade feminina; intervenções sensíveis e acessíveis, desde serviços de atenção primária até programas comunitários, são fundamentais para aliviar traumas, prevenir adoecimentos e promover bem‑estar integral. O que merece atenção permanente e especializada. “A terapia continuada não é luxo, é um equipamento de proteção à vida familiar; ao acompanhar mães, filhas e parceiros ao longo do tempo, prevenimos recaídas, fortalecemos vínculos e promovemos resiliência”, observa a psicóloga Valéria Motta, que atende famílias na Grande Tijuca. Valéria ressalta ainda a necessidade de serviços públicos acessíveis e de capacitação de profissionais para reconhecer a complexidade dos processos psíquicos que atravessam o gênero, a raça e a condição socioeconômica. “As relações familiares carecem de compreensão mútua. Essa compreensão não é automática, é preciso dedicação e entrega. Um trabalho terapêutico advindo de boas redes de serviços, vem desenvolver e fortalecer um dos grandes desafios que é uma comunicação de qualidade nas relações.”
Homens como aliados: convocação que transforma
A inclusão dos homens nas campanhas de combate à violência contra mulheres e meninas não é gesto de benevolência, mas estratégia imprescindível. Quando homens assumem papel ativo na desconstrução de normas tóxicas de masculinidade, acrescem-se vozes à prevenção e aos processos educativos que transformam lares, escolas e espaços de trabalho. Campanhas que envolvem meninos e homens em diálogos sobre respeito, consentimento e responsabilidade ampliam a eficácia das ações e fortalecem políticas públicas capazes de enfrentar a violência em sua raiz. “O respeito tem dimensão ética e espiritual; promover a responsabilidade masculina é cultivar o cuidado mútuo que todos necessitam”, diz a sacerdotisa Katja Bastos, do Conselheira do Complir-Rio, ressaltando a importância da espiritualidade como matriz de cura e transformação social.
É urgente que as políticas públicas acompanhem esse movimento com medidas concretas: investimento em serviços especializados, proteção às vítimas, capacitação de profissionais, mecanismos eficazes de denúncia e políticas de empoderamento econômico. A articulação intersetorial, entre saúde, educação, assistência social e segurança, e a garantia de recursos contínuos asseguram que avanços legais e normativos se traduzam em vidas transformadas. Cuidar das mulheres, por meio de políticas robustas e inclusão social, é promover justiça e desenvolver sociedades mais saudáveis e produtivas.
Cuidar da mulher hoje é, portanto, cuidar do futuro coletivo. Ao reconhecer a centralidade das mulheres na reprodução social, na economia e na cultura, reafirmamos um compromisso civilizatório: proteger, valorizar e ouvir.
Para que essas vozes se transformem em políticas e práticas duradouras, é imprescindível investimento público contínuo: serviços especializados, mecanismos eficazes de denúncia, amparo às vítimas e programas de empoderamento econômico. A Dra. Dina Frutuoso chama a atenção para o papel da memória e da literatura nesse processo: “Leiam ‘Memórias Afetivas’ — meu convite é para que a leitura sirva de espelho e de ponte entre gerações, para que histórias pessoais se convertam em instrumentos de compreensão e mudança”. Cuidar das mulheres é, por fim, cuidar do tecido social inteiro.
Cuidar da mulher hoje é cuidar do futuro coletivo. Exigir, implementar e sustentar ações que protejam, valorizem e escutem as mulheres é comprometer‑se com sociedades mais justas e saudáveis. Que este março seja menos um calendário e mais um chamado permanente para que famílias, Estado, empresas, igrejas e cada cidadão assuma a responsabilidade de cultivar ambientes onde as mulheres floresçam inteiras, livres do medo e com plenas oportunidades de protagonismo.
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