Em 2024, o Brasil registrou cerca de 5 milhões de fraudes digitais, um salto de 45% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP).
O número é expressivo, mas o dado mais preocupante está na proporção: um em cada quatro brasileiros sofreu alguma tentativa de golpe ao longo do ano, e metade dessas pessoas acabou se tornando vítima de fato.
O Relatório de Identidade e Fraude 2025, publicado pela Serasa Experian em março, confirmou a escala do problema. De acordo com o estudo, 51% dos brasileiros foram vítimas de algum tipo de fraude em 2024.
Entre os atingidos, 54,2% tiveram prejuízo financeiro. O uso indevido de cartão de crédito liderou as ocorrências, com 47,9% dos casos, seguido por boletos falsos e transações fraudulentas via Pix (32,8%) e phishing (21,6%).
Esses números refletem algo que vai além da estatística criminal. Mostram que a verificação de dados pessoais deixou de ser uma precaução opcional e passou a ser uma etapa obrigatória em qualquer negociação, contratação ou cadastro.
O dado pessoal como porta de entrada para o golpe
A maioria das fraudes digitais no Brasil começa com uma informação aparentemente simples: nome completo, CPF, data de nascimento ou número de telefone. Quando combinados, esses dados permitem que criminosos simulem identidades, abram contas bancárias, contratem empréstimos e realizem compras em nome de terceiros.
Dados da pesquisa DataSenado, publicados pelo Senado Federal em outubro de 2024, apontaram que golpes digitais atingem 24% da população brasileira. O instituto também identificou que o uso indevido de informações pessoais está na base da maioria das fraudes, servindo como insumo para ataques de engenharia social e invasões de contas.
A pesquisa da Serasa Experian reforçou esse cenário: 16,3% dos entrevistados informaram ter tido documentos roubados ou perdidos em 2024, e 19% admitiram ter compartilhado dados pessoais com terceiros, principalmente em compras online (73,7%) e abertura de contas bancárias (20,4%).
Esse compartilhamento, muitas vezes feito sem nenhuma verificação prévia, cria um ciclo de vulnerabilidade que alimenta a indústria da fraude.
A verificação de identidade como primeiro filtro de segurança
Nos últimos dois anos, empresas de todos os portes passaram a adotar processos de verificação de identidade mais rigorosos. O motivo é simples: o custo de não verificar é maior do que o custo de checar.
No setor financeiro, a checagem de dados cadastrais se tornou etapa padrão antes de qualquer concessão de crédito. Bancos, fintechs e corretoras de valores cruzam informações como CPF, nome completo e data de nascimento para confirmar que a pessoa é quem diz ser. A prática reduziu as aprovações de crédito para identidades falsas, mas o volume de tentativas continua alto.
A Receita Federal, por meio de sua API de consulta do CPF, mantém hoje mais de 1.800 clientes ativos e processa em média 120 milhões de consultas por mês, segundo o Serpro, empresa pública responsável pela infraestrutura. Desde o lançamento da ferramenta, em 2017, já foram realizadas mais de 3,5 bilhões de verificações.
Esses números mostram que a checagem de dados não é prática restrita a grandes corporações. Pequenos lojistas, profissionais autônomos e prestadores de serviço também precisam confirmar a identidade de seus clientes e parceiros comerciais antes de fechar qualquer acordo.
O papel da data de nascimento na validação de identidade
Entre os dados pessoais utilizados em processos de verificação, a data de nascimento ocupa um lugar específico. Diferente do CPF, que é um número sequencial atribuído pela Receita Federal, a data de nascimento é uma informação biográfica que funciona como camada adicional de confirmação.
Na prática, a data de nascimento é exigida em praticamente todos os processos de cadastro e validação no Brasil. A Receita Federal, por exemplo, solicita o CPF e a data de nascimento como par obrigatório para qualquer consulta de situação cadastral.
Instituições financeiras usam essa combinação para verificar a identidade de clientes antes de liberar operações. Cartórios exigem a informação para emissão de certidões e procurações.
Apesar da importância, nem sempre essa informação está facilmente acessível para quem precisa realizar uma verificação legítima. É o caso de empresas que recebem documentos incompletos, profissionais que precisam confirmar dados de terceiros em processos judiciais ou cidadãos que buscam regularizar cadastros desatualizados.
Para essas situações, já existem ferramentas online que permitem realizar a pesquisa por data de nascimento de forma estruturada. Esse tipo de consulta é útil sobretudo em contextos de conferência cadastral, onde a confirmação de um dado específico pode evitar fraudes ou erros operacionais.
O que a LGPD estabelece sobre o uso de dados para verificação
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018), em vigor desde setembro de 2020, regulamenta o tratamento de informações pessoais no Brasil. A legislação estabelece que dados como nome, CPF e data de nascimento só podem ser coletados e utilizados com base em uma finalidade legítima, com transparência e respeito aos direitos do titular.
A LGPD não proíbe a consulta de dados pessoais. O que a lei veda é o uso indiscriminado, sem justificativa e sem consentimento. A verificação de identidade para fins de prevenção à fraude, por exemplo, é uma das bases legais previstas na própria legislação.
Em 2025, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) intensificou a fiscalização. Conforme relatório da própria autarquia, foram aplicados mais de 120 autos de infração no primeiro semestre, com previsão de R$ 45 milhões em multas.
A maior parte das autuações recaiu sobre empresas que coletavam dados sem informar a finalidade ou que mantinham bases de dados sem medidas mínimas de segurança.
O recado da ANPD é direto: verificar é necessário, mas a forma como se verifica precisa respeitar as regras. Plataformas que oferecem serviços de consulta de dados precisam operar dentro dos limites legais, com políticas de privacidade claras e tratamento adequado das informações.
O avanço da inteligência artificial nos golpes e na proteção
Um dos fatores que ampliou o volume de fraudes em 2024 foi o uso de inteligência artificial por grupos criminosos. A tecnologia permitiu a criação de perfis falsos com alto grau de realismo, simulações de voz e imagem por meio de deepfakes e mensagens de phishing personalizadas que imitam comunicações legítimas de bancos e empresas.
O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de ataques cibernéticos, com 700 milhões de tentativas por ano, o que equivale a cerca de 1.379 ataques por minuto, conforme levantamento divulgado por entidades do setor.
Do lado da defesa, a inteligência artificial também passou a ser empregada. Sistemas de detecção de fraudes em tempo real, análise comportamental de transações e cruzamento automatizado de dados cadastrais reduziram a taxa de sucesso dos golpistas em determinados segmentos.
Ainda assim, a tecnologia não substitui a etapa básica de verificação: confirmar se os dados da pessoa que está do outro lado da transação são verdadeiros.
O que muda para quem contrata, vende ou fecha negócio
Para o pequeno empresário que vende parcelado, para o profissional liberal que fecha contrato com um novo cliente, para o locador que precisa verificar a identidade do inquilino, a rotina de checagem de dados se tornou parte do processo.
A pesquisa da TransUnion, publicada em junho de 2025, mostrou que 77% dos consumidores brasileiros consideram a segurança de seus dados pessoais um fator muito importante na hora de escolher com quem fazer negócios.
No sentido inverso, 40% dos entrevistados afirmaram já ter deixado de concluir uma compra ou contratação online por desconfiar da segurança do site.
Essa desconfiança afeta diretamente o faturamento de empresas que não investem em verificação. Ao mesmo tempo, negócios que demonstram cuidado com a checagem de identidade e a proteção de dados conquistam credibilidade e reduzem os riscos de inadimplência e fraude.
A verificação de dados pessoais não é burocracia. É a primeira barreira contra um prejuízo que, em escala nacional, já se mede em bilhões de reais por ano.
Checagem simples, resultado concreto
O ponto mais relevante para quem precisa adotar essa prática é que a verificação não exige sistemas complexos nem investimentos altos. A consulta de CPF na Receita Federal é gratuita.
Ferramentas online de checagem de dados cadastrais, como plataformas que permitem confirmar nome, situação do CPF e data de nascimento, estão acessíveis para qualquer pessoa com acesso à internet.
O que diferencia quem sofre golpe de quem evita é, na maioria das vezes, uma etapa simples: confirmar se os dados informados são verdadeiros antes de prosseguir.
Em um país onde metade da população foi vítima de fraude em um único ano, essa confirmação não é excesso de cautela. É o mínimo necessário.
Criado em: 30/03/2026 16:14 | Última alteração: 30/03/2026 16:28















