O Brasil é o país com maior nível de otimismo em relação às criptomoedas entre todos os mercados analisados em um novo estudo global. A conclusão é da LatAm Intersect, agência de relações públicas especializada na região, que monitorou 12 meses de cobertura midiática online em diferentes países por meio da plataforma ECR da Delta Analytics. Aproximadamente 75% dos conteúdos jornalísticos brasileiros sobre o setor foram classificados como “expectativa” — o índice mais alto do levantamento.
O perfil brasileiro vai além do otimismo: o estudo aponta que o país tem um dos mercados mais diversificados do mundo em termos de interesse por ativos digitais, com atenção distribuída entre privacidade, NFTs, trading e novos ecossistemas. Para os pesquisadores, o avanço do Banco Central na regulamentação de criptomoedas e stablecoins contribuiu para consolidar essa percepção — o cripto deixou de ser visto apenas como aposta especulativa e passou a ser associado à participação econômica mais ampla.
“O Brasil se destaca como um mercado com forte visão de futuro. Os avanços regulatórios e as tendências de adoção posicionam as criptomoedas como uma ferramenta concreta de participação econômica”, afirma Roger Darashah, cofundador e diretor da LatAm Intersect.
O resultado coloca o Brasil na liderança de uma tendência regional: a América Latina é a região mais otimista do mundo em relação às criptomoedas, associando o setor à inclusão financeira antes da especulação. No México, o cenário é mais ambivalente — expectativa e medo aparecem em proporções semelhantes (cerca de 35% cada), com o interesse concentrado em privacidade e regulação. Entre o público hispânico nos Estados Unidos, a expectativa (~42%) supera o medo (~28%), com destaque para as stablecoins, usadas principalmente para pagamentos e remessas.
“Em alguns mercados, trata-se de ganhar dinheiro. Em outros, de protegê-lo. E em outros, ainda, de conseguir acessá-lo. A América Latina pertence claramente a esse terceiro grupo: aqui, o cripto não é um ativo de luxo, mas uma ferramenta de inclusão”, diz Darashah.
Europa: cautela e dificuldade de classificação
Na Europa, o cenário é distinto. A França chama atenção pelo alto índice de surpresa — cerca de 90% da cobertura local foi classificada dessa forma, o maior nível entre todos os países analisados. A leitura dos pesquisadores é que os veículos franceses não temem as criptomoedas, mas tampouco sabem onde encaixá-las nos modelos financeiros tradicionais. Na Alemanha, a surpresa também domina (~55%), mas o medo aparece como segundo fator relevante (~20%), em grande parte alimentado pela atuação rigorosa do regulador BaFin e pelas reportagens sobre lavagem de dinheiro. Na Espanha, medo (~40%) e surpresa (~30%) disputam espaço, refletindo um mercado ainda indefinido entre oportunidade e risco.
Três formas de entender o cripto
O estudo organiza os mercados em três perfis. Na Alemanha e na França, o cripto é tratado principalmente como instrumento financeiro, ainda que cercado de incertezas. Nos Emirados Árabes Unidos, Singapura, Reino Unido e nos Estados Unidos — entre audiências anglófonas —, prevalece a associação com segurança, autonomia e soberania sobre os próprios ativos. Na América Latina, o cripto é entendido como porta de entrada para o sistema financeiro: pagamentos, remessas e acesso econômico vêm antes da especulação.
“A capacidade de se conectar com as audiências em seus próprios termos, refletindo suas necessidades e motivações específicas, será fundamental para impulsionar a adoção e gerar confiança”, conclui Darashah.
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