A laserterapia de baixa potência vem sendo incorporada a protocolos assistenciais como tecnologia complementar voltada à recuperação tecidual e ao controle da dor. O método utiliza luz em comprimentos de onda específicos para estimular processos celulares relacionados à regeneração e à modulação inflamatória. A aplicação clínica tem sido observada principalmente em feridas de difícil cicatrização, lesões cutâneas e no período pós-operatório.
Referência em terapia intensiva, o Hospital AmericanCor, localizado no Rio de Janeiro, passou a incorporar a tecnologia como recurso complementar ao tratamento convencional. Segundo a instituição, a decisão foi baseada na análise de evidências científicas sobre fotobiomodulação e na ampliação de estratégias para recuperação clínica.
“O hospital adota a laserterapia como tecnologia adjuvante, integrada ao plano terapêutico individual de cada paciente. O objetivo é estimular processos biológicos de reparo tecidual e contribuir para o controle da dor”, informou a instituição em nota.
O que mostram as pesquisas científicas
A base teórica da laserterapia de baixa potência está associada ao processo de fotobiomodulação, mecanismo em que a luz é absorvida por estruturas celulares, especialmente mitocôndrias, estimulando a produção de energia celular e a síntese de proteínas relacionadas ao reparo tecidual.
Uma revisão sistemática publicada no Journal of Photochemistry and Photobiology B: Biology analisou ensaios clínicos sobre o uso de laser de baixa intensidade em feridas crônicas e concluiu que a técnica pode reduzir o tempo de cicatrização quando associada ao tratamento padrão. O estudo aponta melhora da microcirculação local e modulação de mediadores inflamatórios como fatores relevantes para o reparo tecidual.
Resultados semelhantes foram descritos em revisão publicada na revista Lasers in Medical Science, que avaliou aplicações clínicas da fotobiomodulação em tecidos moles. A análise identificou aumento da proliferação celular, redução do edema inflamatório e melhora da organização do colágeno durante o processo de cicatrização.
Outro campo investigado é o impacto sistêmico da técnica. Ensaio clínico conduzido com mulheres na menopausa, publicado no Journal of Clinical Medicine, observou redução de marcadores inflamatórios e melhora de parâmetros cardiovasculares após protocolo de laserterapia de baixa potência. Os autores associam os resultados à modulação da resposta inflamatória sistêmica promovida pela fotobiomodulação.
Pesquisas clínicas também investigam aplicações em reabilitação sensorial e inflamatória. Estudos sobre pacientes com alterações de paladar e olfato após infecções virais indicaram recuperação funcional após protocolos controlados de laser de baixa intensidade, hipótese atribuída à estimulação neural e ao efeito anti-inflamatório local.
Aplicação hospitalar e monitoramento clínico
Segundo o AmericanCor, a tecnologia é utilizada principalmente em feridas crônicas, lesões cirúrgicas e queimaduras, sempre como complemento ao tratamento convencional. O hospital informa que a indicação depende de avaliação médica e definição de parâmetros específicos de aplicação, como dose energética e tempo de exposição.
“A laserterapia é um procedimento não invasivo, aplicado por profissionais capacitados e com monitoramento clínico contínuo. O recurso não substitui terapias estabelecidas, mas amplia as possibilidades de recuperação tecidual”, afirmou a instituição.
O hospital destaca que o método pode ser utilizado em ambiente ambulatorial, enfermaria e terapia intensiva, conforme a condição clínica do paciente. O acompanhamento envolve equipe multidisciplinar composta por médicos intensivistas, enfermeiros e fisioterapeutas.
“A adoção da tecnologia está associada ao compromisso institucional com práticas baseadas em evidências e à busca por intervenções que reduzam complicações relacionadas à cicatrização prolongada”, informou o hospital.
Difusão ainda limitada no Brasil
Apesar do avanço das pesquisas científicas, a laserterapia de baixa potência ainda apresenta uso restrito em hospitais brasileiros. Estudos sobre implementação clínica de tecnologias de fotobiomodulação indicam que a expansão do método depende da padronização de protocolos, da formação profissional e da disponibilidade de equipamentos específicos.
Revisões publicadas na literatura internacional apontam que a consolidação da técnica em serviços hospitalares ocorre de forma gradual e associada ao acúmulo de evidências clínicas robustas. A ampliação do uso também está relacionada à incorporação do método em diretrizes terapêuticas e à produção científica em ambiente hospitalar.
O AmericanCor afirma que continuará acompanhando os resultados clínicos da aplicação da tecnologia e o avanço das pesquisas científicas na área. “A incorporação de novos recursos terapêuticos exige avaliação contínua de eficácia, segurança e impacto na recuperação do paciente”, informou a instituição.
A adoção da laserterapia de baixa potência por serviços de saúde no Brasil coincide com a expansão de terapias não invasivas voltadas à regeneração tecidual e ao controle de processos inflamatórios. A consolidação do método no país dependerá da continuidade das pesquisas clínicas e da padronização de protocolos assistenciais baseados em evidências científicas.












