O Brasil envelhece em ritmo acelerado e, junto com essa transformação, cresce um desafio silencioso dentro de milhares de lares: quem cuida de quem cuidou da gente? Em muitos casos, a resposta passa por decisões que mudam completamente a vida de filhos e filhas, obrigados a reorganizar a rotina, interromper planos profissionais e assumir uma nova missão dentro da própria família.
Foi exatamente esse caminho que percorreu o engenheiro civil, gestor de processos corporativos e empresário Clovis Felisberto Salomon. Acostumado a liderar projetos e equipes, ele precisou colocar a carreira em segundo plano depois que sua mãe, Olga Felisberto Salomon, sofreu uma queda doméstica que exigiu cuidados permanentes.

A decisão significou muito mais do que adaptar horários. Para garantir presença constante na rotina da mãe, Clóvis deixou um cargo executivo em uma das instituições de ensino e pesquisa mais renomadas do país e passou a atuar como consultor independente, conquistando a flexibilidade necessária para acompanhar consultas, tratamentos, adaptações da casa e a complexa gestão do cuidado domiciliar.
Como acontece com a maioria das famílias brasileiras, ele admite que ninguém estava preparado para enfrentar uma situação de dependência prolongada. O aprendizado aconteceu durante o processo, entre dúvidas, inseguranças, decisões difíceis e uma profunda reorganização da dinâmica familiar.
“O maior desafio não foi aprender a cuidar. Foi entender que cuidar também exigia abrir mão de parte da vida que eu havia planejado. Quando uma família decide assumir esse compromisso, todos são transformados. Não existe manual. Existe amor, adaptação e escolhas diárias.”
Ao longo dessa trajetória, Clóvis percebeu que o cuidado ultrapassa os aspectos médicos. Exige planejamento financeiro, reorganização profissional, equilíbrio emocional e, principalmente, união familiar. Sua esposa, Marta Ventorini Salomon, participou ativamente desse processo, assim como sua irmã, Marina Salomon, e os demais familiares, formando uma rede de apoio indispensável para que Olga pudesse permanecer em casa com dignidade.
A história ganhou contornos ainda mais desafiadores quando o próprio Clóvis recebeu o diagnóstico de câncer. Enquanto enfrentava cirurgias e sessões de quimioterapia, a irmã assumiu integralmente os cuidados com a mãe, demonstrando que o cuidado também precisa ser compartilhado para que ninguém adoeça sozinho.
Mais do que relatar uma experiência pessoal, Clóvis transformou esse período em uma reflexão sobre o envelhecimento da população brasileira e a necessidade de discutir o papel das famílias diante do aumento da expectativa de vida. Para ele, cuidar significa preservar a autonomia, respeitar a história de quem envelhece e compreender que afeto também precisa de planejamento.
“Vivemos preocupados em planejar carreira, aposentadoria e patrimônio, mas quase nunca conversamos sobre quem cuidará de quem quando a dependência chegar. O cuidado não deveria ser tratado como improviso. Ele precisa ser encarado como uma responsabilidade compartilhada e, acima de tudo, como um gesto de dignidade.”
Essas vivências deram origem ao livro Todo tempo é para viver, que será lançado no dia 7 de agosto. Na obra, Clóvis reúne memórias, aprendizados e ferramentas práticas desenvolvidas durante os anos em que cuidou da mãe, propondo uma reflexão sobre envelhecimento, relações familiares e a importância de colocar a pessoa, e não apenas a doença, no centro do cuidado.
O autor
Clovis Felisberto Salomon é engenheiro civil, gestor de processos corporativos e empresário. Sua trajetória ganhou um novo significado quando precisou se reinventar para cuidar da mãe após um episódio que demandou atenção e cuidados diários. A vivência despertou reflexões sobre envelhecimento, afeto e qualidade de vida, além do desejo de compartilhar aprendizados com outras famílias que enfrentam situações semelhantes. Dessa experiência nasce o livro Todo tempo é para viver, que será lançado em 7 de agosto de 2026, das 18h às 21h, na livraria Travessa do Shopping Leblon.
Acompanhe o Instagram: @clovisfsalomon












