
No dia 13 de maio, durante o AB2L 2026, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, Rafael Dias, CEO da Acordo Fechado, e Aline Aguiar, diretora jurídica da Light, subiram ao palco para mostrar, com dados reais, o que acontece quando a inteligência artificial deixa de ser promessa e vira rotina de trabalho.
A palestra “JARVIS: Como agentes de IA estão revolucionando os cálculos na prática – Case Light” abriu com um diagnóstico incômodo sobre o mercado. Estudos do IDC em parceria com a Microsoft apontam que cada dólar investido em IA generativa gera um retorno de 3,7 reais para cada 1,00 investido, e ainda assim, uma parcela expressiva dos projetos corporativos é abandonada antes de gerar qualquer resultado. A tese defendida pelos especialistas foi que implementar tecnologia não basta. O que transforma uma operação é a solução certa, conectada a uma dor real.
A dor real da Light
Aline Aguiar apresentou o desafio concreto que motivou o projeto, como executar, em escala, os cálculos necessários para o recurso inominado no Rio de Janeiro, modalidade típica dos Juizados Especiais que, pelo sistema GRERJ do TJRJ, exige o cômputo de múltiplas rubricas sem um modelo simplificado e padronizado para operações de grande volume. A dificuldade se estendia à certificação de pagamentos realizados a maior e à restituição desses créditos por via administrativa, um caminho longo o suficiente para ser deixado de lado na prática. Dinheiro parado na mesa, sem que ninguém fosse buscá-lo.
A solução foi criar um agente de IA capaz de identificar e recuperar automaticamente os pagamentos indevidos de custas processuais. Em um ano de operação, o agente processou 13 mil casos, movimentou R$25 milhões em análises e gerou pedidos tempestivos de R$2,5 milhões, dentro do prazo, com rastreabilidade e sem depender de revisão manual em cada etapa.
Os números do JARVIS
A apresentação contextualizou o JARVIS dentro de um momento mais amplo, em que a era dos agentes autônomos de IA, não apenas auxiliam tarefas pontuais, mas analisam dados, tomam decisões e executam fluxos completos de ponta a ponta. A ferramenta, resultado direto da parceria entre a Preâmbulo Tech e a Acordo Fechado, já acumula 312 mil processos analisados, 1,5 milhão de documentos processados e R$3,5 milhões movimentados em cálculos judiciais. Nos escritórios que a adotaram, a capacidade produtiva cresceu até dez vezes. O JARVIS opera com quatro agentes principais de IA, cada um dedicado a uma etapa distinta da operação jurídica.
Escala com inteligência
Um dos pontos centrais da fala foi a lógica de equalização: usar a tecnologia para calibrar a régua entre volume e qualidade. Processos que antes eram conduzidos com menos rigor por limitação de capacidade humana passam a ser executados em quantidade sem abrir mão do padrão técnico. O que era dez vira mil.
Aline Aguiar encerrou reforçando que é exatamente nesse ponto que a tecnologia precisa ser enxergada, não como substituição de pessoas, mas como esteira de oportunidade. “Sou fã de agentes de IA porque por trás deles sempre há pessoas que os constroem”, afirmou a diretora, defendendo que o valor está em olhar para o melhor que a ferramenta pode oferecer e conectá-la ao retorno que a operação precisa gerar.
A Preâmbulo Tech, referência em tecnologia jurídica com 37 anos de história e mais de 200 mil clientes, consolidou o investimento na Acordo Fechado com o objetivo de entregar aos escritórios um pacote completo de soluções, especialmente para os que atendem grandes carteiras passivas. A plataforma integra negociação automatizada, comunicação por e-mail e WhatsApp, geração de minutas com IA, assinatura eletrônica e gestão de acordos, tudo conectado aos ERPs da Preâmbulo.













