O que começou como um pequeno boteco no Leblon, inspirado na cultura boêmia carioca e na crescente cena de cervejas artesanais, se transformou em uma rede consolidada de bares no Rio de Janeiro. Criado em 2013 pelo empresário Rafael Farrá, o Brewteco nasceu com a proposta de resgatar a informalidade dos bares tradicionais da cidade, combinando essa atmosfera com uma curadoria de cervejas especiais e gastronomia de boteco.
Mais de uma década depois, a marca soma unidades espalhadas pela capital fluminense e uma operação que inclui até o bar da fábrica, na Lapa. Só no primeiro semestre de 2025, a produção própria da casa ultrapassou 95 mil litros de cerveja artesanal, refletindo o crescimento da marca e a consolidação da cultura cervejeira no Rio. Em 2026, a média de produção tem alcançado a marca dos 30 mil litros por mês.
O crescimento da rede acompanha uma expansão mais ampla do mercado cervejeiro brasileiro. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, o país conta atualmente com 1.949 cervejarias registradas, número 5,5% maior que no ano anterior, além de mais de 43 mil rótulos catalogados pelo Ministério da Agricultura. O setor movimenta bilhões de litros por ano e reflete mudanças no comportamento do consumidor, como o avanço das cervejas especiais e o crescimento de novas categorias, como as versões sem álcool, cujo consumo no Brasil deve alcançar cerca de 885 milhões de litros em 2026.
A história do Brewteco começa antes mesmo da abertura do primeiro bar. Durante anos, Rafael Farrá e um grupo de amigos mantiveram um ritual semanal: todas as sextas-feiras percorriam a cidade em busca de bares antigos e autênticos. A brincadeira durou cerca de três anos e ajudou o empreendedor a desenvolver um olhar atento para a experiência de frequentar botecos tradicionais.
Inspirado por essa vivência e também por referências internacionais, Farrá decidiu transformar a ideia em negócio. Em 2013, assumiu um antigo boteco da Rua Dias Ferreira, no Leblon, onde inaugurou o primeiro Brewteco. A proposta era simples: manter a essência democrática dos bares cariocas, mas com foco em cervejas artesanais e uma oferta gastronômica pensada para compartilhar.
Nos primeiros meses, o empreendedor acompanhou de perto todas as etapas da operação para entender o funcionamento do negócio. Com o tempo, novos sócios se juntaram ao projeto e a marca começou a ganhar força entre o público da cidade.
A expansão veio de forma gradual, acompanhando também o crescimento do interesse dos consumidores por cervejas especiais. Hoje, o Brewteco possui unidades no Leblon, Gávea, Tijuca, Botafogo, Barra da Tijuca, Laranjeiras, Lapa e Morro da Urca, ocupando diferentes regiões da cidade e adaptando o conceito do bar ao perfil de cada bairro.
Enquanto a unidade da Tijuca se inspira nos tradicionais biergartens alemães e virou ponto de encontro para torcedores em dias de jogos no Maracanã, a casa de Laranjeiras mantém o espírito de boteco de bairro, com programação cultural que reforça a conexão da marca com o espírito carioca. Já o Brewteco da Lapa abriga o bar da fábrica da marca, aproximando o público do processo de produção da cerveja. No Morro da Urca, o conceito do boteco ganha um cenário inusitado, instalado em um dos cartões-postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro.
Somadas, as casas reúnem 182 torneiras de chope e uma carta extensa de rótulos nacionais e internacionais, além de um cardápio que aposta na chamada “baixa gastronomia de qualidade”, com petiscos e pratos pensados para compartilhar.
Ao longo dos anos, o Brewteco também consolidou um posicionamento que vai além da bebida. A marca se tornou um ponto de encontro para diferentes gerações de cariocas, reforçando a cultura do boteco como espaço de convivência e celebração cotidiana.
“Desde o início, a ideia foi criar um lugar onde as pessoas se sentissem à vontade, como nos botecos tradicionais do Rio, mas com uma proposta contemporânea de cerveja e gastronomia”, afirma Rafael Farrá.
Mais do que acompanhar o crescimento do mercado de cervejas artesanais no Brasil, o Brewteco ajudou a consolidar essa cultura na cidade, mostrando que o boteco carioca pode evoluir sem perder sua essência.












