A presença de marcas brasileiras no Oriente Médio deixou de ser uma aposta pontual para se transformar em estratégia concreta de expansão internacional. Empresas nacionais dos setores de alimentos, cosméticos, moda e até decoração vêm ampliando operações nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, dois dos mercados mais cobiçados por marcas globais nos últimos anos.
O movimento ocorre em meio à busca das companhias brasileiras por novos consumidores fora dos mercados tradicionais da Europa e América Latina. Com alto poder de compra, forte presença de turistas internacionais e uma economia cada vez mais diversificada, o Oriente Médio passou a ser visto como território estratégico para produtos brasileiros com identidade própria.
Expansão
A mudança ganhou força especialmente após a retomada econômica global e o crescimento de investimentos em consumo premium nos países árabes. Redes de supermercados, marketplaces de luxo e centros comerciais da região passaram a demonstrar maior interesse por produtos brasileiros ligados à sustentabilidade, bem-estar e estilo de vida tropical.
O setor de alimentos aparece entre os mais beneficiados. Produtos como café especial, açaí, chocolates premium e carnes certificadas ampliaram espaço em redes varejistas de Dubai e Riad. Ao mesmo tempo, marcas de cosméticos enxergaram oportunidade em nichos relacionados a produtos naturais e beleza sustentável.
“O consumidor árabe busca exclusividade e experiência de marca. O Brasil consegue oferecer isso com autenticidade”, afirma Helena Barros, consultora de comércio exterior especializada em mercados do Oriente Médio. Segundo ela, empresas brasileiras passaram a investir mais em adaptação cultural e posicionamento internacional. “Hoje não basta exportar. É preciso construir valor de marca.”
Além da qualidade dos produtos, empresários destacam a vantagem competitiva do Brasil em setores ligados à biodiversidade, moda casual e alimentos considerados exóticos para o público internacional.
Estratégia
O avanço não acontece apenas por demanda espontânea. Muitas empresas brasileiras passaram a montar operações locais, criar parcerias regionais e participar de feiras internacionais voltadas ao mercado árabe.
Nos Emirados Árabes, Dubai se consolidou como principal porta de entrada para marcas latino-americanas. O emirado funciona como centro logístico e comercial para distribuição de produtos em diversos países da região.
Já a Arábia Saudita vive um momento de transformação econômica impulsionado por investimentos bilionários em turismo, varejo e entretenimento. O país tenta reduzir dependência do petróleo e abrir espaço para novos segmentos de consumo.
“Existe uma janela importante para empresas brasileiras porque o Oriente Médio está ampliando investimentos em lifestyle e varejo internacional”, explica Roberto Mansur, diretor de uma câmara de comércio Brasil-Árabe. “O consumidor local valoriza marcas estrangeiras com identidade forte e produtos diferenciados.”
Segundo especialistas, a internacionalização também fortalece a imagem das empresas no mercado interno. Muitas marcas utilizam a presença em Dubai ou Abu Dhabi como selo de prestígio para ampliar percepção de valor entre consumidores brasileiros.
Adaptação
Apesar das oportunidades, o avanço exige adaptações importantes. Empresas brasileiras precisaram rever embalagens, comunicação visual e até fórmulas de produtos para atender exigências culturais e religiosas da região.
No setor alimentício, certificações halal tornaram-se fundamentais para ampliar exportações. Já na moda e nos cosméticos, marcas passaram a desenvolver campanhas mais alinhadas aos costumes locais.
Outro desafio envolve logística e posicionamento de preço. O Oriente Médio possui um mercado altamente competitivo, disputado por empresas europeias, asiáticas e norte-americanas.
Ainda assim, o crescimento do consumo premium abriu espaço para produtos brasileiros considerados autênticos e diferenciados. Isso ocorre especialmente entre consumidores jovens e turistas internacionais que circulam pelos grandes centros comerciais da região.
Imagem
Especialistas avaliam que o avanço das marcas brasileiras no Oriente Médio representa uma mudança importante na forma como o país se posiciona globalmente. Durante décadas, o Brasil foi associado principalmente à exportação de commodities agrícolas e minerais.
Agora, empresas nacionais buscam ampliar presença em segmentos de valor agregado, fortalecendo imagem ligada a inovação, estilo de vida e consumo aspiracional.
O movimento também acompanha mudanças no comportamento do consumidor internacional, cada vez mais interessado em produtos com origem clara, sustentabilidade e identidade cultural.
Futuro
A expectativa do setor é de crescimento contínuo nos próximos anos. Empresas brasileiras avaliam expansão física na região, abertura de lojas próprias e fortalecimento de operações digitais voltadas ao público árabe.
Enquanto isso, o Oriente Médio deixa de ser apenas um mercado distante e passa a ocupar espaço estratégico nos planos de internacionalização das marcas nacionais.
Mais do que ampliar exportações, o avanço representa uma tentativa do Brasil de disputar relevância global em setores ligados a consumo, imagem e construção de marca — áreas historicamente dominadas por empresas europeias e norte-americanas.











