O Rio de Janeiro recebe o ConvergeLab Open Health Summit 2026, encontro dedicado à inovação em ambientes regulados. O evento reunirá empresas, startups deep tech, universidades, centros de pesquisa, instituições públicas, reguladores, investidores e provedores de tecnologia. O encontro acontecerá na Barra da Tijuca, nos dias 22 e 23 de outubro.
Ao longo de dois dias, a programação vai discutir caminhos para acelerar a inovação em setores nos quais dados, infraestrutura científica, capacidade computacional e regulação precisam avançar de forma integrada. Entre os temas estão uso seguro de dados, indústria farmacêutica, novos modelos de colaboração, infraestrutura para inteligência artificial, soberania de dados e computação federada.
A proposta acompanha uma transformação que já ganha escala internacional. O relatório publicado pelo World Economic Forum em 2026 aponta que a vantagem competitiva está migrando da posse isolada de tecnologias para a capacidade de combiná-las e integrá-las a dados, pessoas, processos e ecossistemas. O estudo analisa esse movimento setores como saúde, life sciences, manufatura e energia. É nesse contexto que o evento propõe debater novos modelos de colaboração para ambientes regulados, conectando inteligência artificial, dados, computação de alto desempenho, infraestrutura científica, governança e capital.
“Hoje, uma organização ou um consórcio de organizações públicas ou privadas pode conhecer profundamente um problema relevante, mas não dispor de todos os dados nem da infraestrutura necessários para desenvolver uma solução baseada em IA. Esses ativos podem estar distribuídos em outros pontos do ecossistema. O desafio é criar condições para que possam convergir em torno de problemas reais, com segurança, governança e viabilidade regulatória”, afirma Ronaldo Pedro da Silva, fundador do ConvergeLab.
Entre os palestrantes confirmados estão o diretor da área de Engenharia Digital do Fraunhofer IPK na Alemanha, Kai Lindow, que abordará ecossistemas federados de dados para a indústria; o chefe da Divisão de Matéria Mole e Biológica do Sirius/LNLS/CNPEM, Mateus Cardoso; o assessor técnico da GIZ Brasil, Ernesto Lembcke, especializado em saúde e políticas digitais; Leon de França Nascimento, pesquisador da Firjan que estuda aprendizado federado aplicado à inteligência em saúde; a Head de Drug Discovery do LNBio-CNPEM, Daniela Trivella; e fundador e CSO da Nintx, Cristiano R. W. Guimarães. A programação também reúne especialistas em inteligência artificial, biodiversidade, deep tech e inovação farmacêutica.
Inovação com colaboração
O ConvergeLab foi estruturado como um modelo de inovação orientado por desafios de uma empresa ou de consórcios de empresas. A proposta é fazer convergir diferentes abordagens tecnológicas, como biotecnologia, nanotecnologia e inteligência artificial, combinando capacidades distribuídas entre empresas, startups, universidades, hospitais, centros de pesquisa e provedores tecnológicos para desenvolver e validar soluções escaláveis, capazes de chegar ao mercado e gerar efeitos cumulativos de inovação.
A pesquisa da McKinsey, publicada em abril de 2026, mostra que metade das organizações de saúde pesquisadas nos Estados Unidos já havia implementado inteligência artificial generativa e mais de 80% já tinham colocado os primeiros casos de uso nas mãos de usuários. O avanço faz com que questões como integração, governança e escala passem a ocupar um espaço cada vez maior na agenda do setor.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também apontou, em relatório de março de 2026, que a expansão responsável da inteligência artificial em saúde ainda enfrenta barreiras como bases de dados fragmentadas, incerteza regulatória e lacunas de governança.
Computação federada amplia possibilidades
A computação federada é um dos conceitos que orientam essa discussão e permite que diferentes organizações colaborem em processos digitais mantendo dados e outros ativos estratégicos sob sua própria governança. Em determinadas aplicações, o processamento pode ocorrer nos ambientes onde as informações estão armazenadas, reduzindo a necessidade de centralização e ampliando possibilidades de colaboração em contextos nos quais privacidade, segurança, propriedade intelectual e requisitos regulatórios são determinantes.
“Colaboração não precisa significar centralização. O princípio é permitir que diferentes instituições contribuam com seus ativos e competências mantendo maior controle sobre aquilo que é sensível ou estratégico. Esse tipo de arquitetura pode abrir novas possibilidades para pesquisa, desenvolvimento e inovação em setores regulados. É compartilhar inteligência sem precisar compartilhar os dados”, afirma Ronaldo Pedro.
A busca por maior controle sobre dados e infraestrutura vem ganhando dimensão econômica. O Gartner projeta que os gastos mundiais com infraestrutura de nuvem soberana chegarão a US$ 80 bilhões em 2026, crescimento de 35,6% em relação ao ano anterior.
Esse cenário também se reflete no avanço do aprendizado federado. A Grand View Research estima que o mercado global da tecnologia chegue a US$ 297,5 milhões em 2030. Na área de saúde, a Mordor Intelligence prevê crescimento de US$ 86,91 milhões para US$ 200,59 milhões no período entre 2026 e 2031.
O ConvergeLab Open Health Summit 2026 terá seis trilhas temáticas e uma programação voltada à conexão entre pesquisa, indústria, infraestrutura e mercado. A proposta é transformar o encontro em um espaço de aproximação entre organizações que possuem problemas concretos e atores capazes de contribuir com tecnologia, dados, pesquisa, validação, regulação ou investimento.
A realização do Summit conta com o Diálogo Digital União Europeia–Brasil como parceiro oficial e patrocinador, além do fomento da Faperj. A iniciativa é cofinanciada pela União Europeia e pelo Ministério Federal Alemão da Transformação Digital e Modernização do Governo (BMDS), implementada pela GIZ Brasil, e integra a cooperação estratégica entre o Governo Brasileiro e a União Europeia em políticas digitais, novas tecnologias e economia digital. O evento também conta com a Open Health, plataforma de computação federada da University College London (UCL), parceira acadêmica do ConvergeLab.
ConvergeLab Open Health Summit 2026
Dias: 22 e 23 de outubro de 2026
Local: Av. das Américas, 2480 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro













